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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

inquietações de um dia vazio.


Vazio é um parênteses sem nada dentro.
É o que me sobra se eu perco a fé.
Vazio é o espaço não preenchido, os espaços internos.
O que sobra e o que falta quando você enche a casa de móveis.
Vazio é quando você sente fome, abre a geladeira e percebe
que está na hora de fazer compras.
É quando você não sabe o que dizer, ou simplesmente não tem
palavras pra falar ou explicar algo.
Pode ser um estado de 'sei lá o que me perpassa', de um altismo
poético, ou de devaneios que floreiam os pensamentos como
as brisas no verão, ou nos cataventos da Cidade dos Girassóis.
Vazio é quando você esquece o nome das pessoas, onde estão
as chaves de casa, onde deixou a carteira com os documentos
ou qual é o seu próprio número de celular.
Isso não de se lembrar, vazio.
Vazio é quando você reencontra um velho amigo de infância
e descobre que vocês não tem mais nada em comum.
E fica o vazio dos olhares constragidos sem saber o que dizer.
Vazio é quando você chega sozinho em casa
depois de um dia cheio de pessoas e prepara a mesa de jantar
só pra você.
Vazio é o que eu mais sinto no meio das cidades grandes,
e o que mais se sentia ali.




segunda-feira, 13 de junho de 2011

um recorte de Alma Funda.


Em Alma Funda há tanta chuva guardada pra jorrar.
Tanta que poderia encher o mundo, o universo.. o solar.
O que foi semente, hoje é folhinha,
pequena assim
tal qual um grão,
a gente planta achando que é rosa
e quando vê só vem botão.

Viva a água de cada dia.
Viva a água.
Viva João.

Em Alma Funda há tanta faísca, tanto carvão pra queimar.
Tanto que poderia ser mil vezes sol, vulcão ativo, potência lunar.
O que foi ferro, hoje é armadura,
firme assim
tal qual diamante,
a gente olha achando que é chapéu
e quando vê é elefante.

Viva o fogo de cada dia.
Viva o fogo.
Viva Rocinante.

Em Alma Funda há tanta água, tanto fogo, terra e céu.
Que as coisas todas se confundem se tornando incomparáveis, favo com abelha e mel.
O que foi - foi, o que hoje - é,
simples/complicado assim
tal qual coração de mulher,
a gente olha achando que é lírio
e quando vê é bem/mal-me-quer.

Viva o dia de cada dia.
Viva o dia.
Viva José.


Viva os pés descalços.

sábado, 12 de março de 2011

Descanso.


Quando você tem tanto pra dizer que mal sabe por onde começar. Mas começo.

Na verdade. Agora. Recomeço.

O que há de renovado veio do fogo. Como fênix das cinzas. A falsa sensação de liberdade de tudo aquilo que na verdade só te machuca por dentro (e por fora). Tal qual câncer mal curado.

Agora tudo queimado. Soprado. Levado. Um mar de esquecimento.

O que há de poesia veio do céu. Como águia do ninho. A maravilhosa sensação de maresia, de tudo aquilo que te acalma por dentro (e por fora). Tal qual colo de mãe.

Agora tudo nascido. Abraçado. Voado. Uma floresta de vastidão.

O que há de amor veio da tempestade. Como rio que transborda. A incrível sensação de medo, de tudo aquilo que te apavora e excita - ao mesmo tempo - por dentro (e por fora). Tal qual criança na expectativa do tão esperado presente.

Na verdade. Agora. Revivo.

Quando você tem tanto pra dizer que não sabe como terminar. E não termino.


"Tudo tem o seu tempo determinado,
e há tempo para todo o propósito debaixo do céu." Ec 3:1

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Bailarina II - Desmentindo Chico


Bailarina
da perna quebrada,
da saia rasgada,
do cabelo chanel.
Menina
do café requentado,
dos dias nublados,
do sonho e do céu.

Bailarina (continua)
sem Soldado-de-Chumbo...


[quem disse que ela não tem?]

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

tire o seu sorriso do caminho...


chegou correndo, suada, cabelos emaranhados do bater ao vento. respirava ofegante, como se quisesse falar e sugar, ao mesmo tempo, todo o ar do mundo e toda a essência dele. a porta se abriu. estava ali parado, intocável, com uma leve ruga - quase imperceptível - entre os olhos fundos. cara-a-cara com ela. ficou muda. perdeu a voz. e o tempo. as mãos frias e vazias. nada trazia. nada dizia. ele sorriu. e partiu. - você nunca sabe o que quer...

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

[...]

Em meio a águas turbulentas me sinto observada. Como por alguns anjos bons. Aqui os agradeço. O amor me surpreende a cada esquina, digo amor - digo vida.

domingo, 28 de novembro de 2010

segunda falsa ode à Ele.

Pelo bem que cercado de amor, cerca o amor de bens. Pelo tempo que me foi generoso. Pelos dias que me foram calorosos. Pelos abraços. Pelos carinhos. Pelas noites. Pelos risos. Por ser maior, e ser menor. Por ser imenso... Pela sinceridade. Pela amizade que um dia cultivei. Pela oferenda. Pela troca. Por ser humano. Por ser da trova. Do trevo, da chuva de anis. Pelo verde, pelo amor, por amar, com amor... obrigada.




Porque amor pra mim não acaba, transforma.

sábado, 30 de outubro de 2010

Quantos lugares ao mesmo tempo?

Penso cada vez mais longe.
Vejo cada vez mais longe.
Toco cada vez mais longe.
Saboreio cada vez mais longe.
Respiro cada vez mais longe.
Cheiro cada vez mais longe.
Ouço cada vez mais longe.

Sinto cada vez mais.




É, a água levou.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Um carinho, pra flô-amarela.

Já pensei em sete verso
sete fita colorida
estrelas, sete, de vida
sete nuvem de algodão
Pra módi mandá pra minina
sete flô de laranjeira
e de manhã a brisa primeira
que é pra aquietá o coração

Ser ela e menina-flô
ser mar e enchente na vida
ser sorriso e brilha que gira
ser jeitinho de chegá com amô
.

domingo, 8 de agosto de 2010

Borra e Onde as luzes tocam o chão.

Os desenhos fitados de azul e vermelho agora giram. Rodopiam freneticamente. À velocidade da luz. As cores se misturam virando borrões. As linhas se misturam virando nós. Os limites se misturam virando nada. Confusão. Embaraço. Mancha - como aquela da blusa branca preferida que nunca mais quis sair (pouco me importa). Poesia concreta em pintura realista. Vira voz. Vira som. Mas não harmonia. Abstracionismo geométrico sem retas, sem abstração e sem geometria. Lágrimas roxas, fruto da combinação. Dos desenhos fitados em sombra e pó de arroz fino - máscaras. Dos segredos susurrados. Divididos. Cumpliciados. Conquistados. Agora vá à janela. Sinta a brisa. Respire fundo. Feche os olhos. E só imagine as imagens. Só desenhe no ar. Os meus borrões azul e vermelho. De volta ao começo.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

falsa ode* à Ele (Poeta);

Pelo 'bem' que me cerca de amor. Pelo 'amor' que me cerca de bens. Pela rocha que sustenta o fio. Pelo fio que segura a rocha. Pela base. Pelo ar. Pela água que mantém viva a semente - plantada em vaso novo, regada à leite e mel. Pela semente que dá sentido a água - descida em terra fina, destilada, expulsa do leito-céu. Pelo tudo. Pelo nada. Pelo dia. Pela madrugada. Pelo pássaro verde. Pela borboleta azul. Por tudo que transborda, que infla, que renova, que mobiliza e que mantém. Pelo frio que me aquece. Pelo calor que me dá calafrios. Pela prece. Pelos filhos - que um dia dia eu terei... Pelo amor, por amar, com amor, obrigada.


*Pouco me dou às regras, por não se tratar de métrica,
mas de fluído, pulso, essência e louvor. (Desculpem-me a ousadia.)

sábado, 10 de abril de 2010

Porquelismos.

[...]

Escrevo porque é terapêutico,
e me recuso a procurar a psiquiatria.
A loucura é normal...
A normalidade sim, me aparece insana!

[...]

terça-feira, 6 de abril de 2010

sobre Peixes Voadores, comemorações e idéias Mal-ditas


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Sobre peixes voadores...
Tudo certo, na hora certa, no segundo certo. Meu 'anjo-da-guarda' sempre foi forte, e acho que já teve mais trabalho do que muitos outros anjos por aí... Incrível como depois de tanto tempo, resolvi sentir falta do sal, do sustento. Da proteção, do companheirismo. Do mar dos olhos... mas como disse, houve resposta. Rugiram as ondas. O vento declamou um poema do meu velho caderno de prosa. Os trovões me fizeram serenata ao luar, enquanto os peixes voavam pela janela afora. E a concha branca? Bem, essa me susurrou baixinho, dos segredos mais profundos do oceano, disse que ainda há amor. Há verdade. No fundo do mar, onde mergulham as borboletas-marinhas. Por enquanto, basta...!

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Sobre comemorações...

Só pra constar, ontem completei 1 ano de blog.. =)

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Sobre idéias Mal-ditas...
Toda terça-feira no blog do Maldito tinha uma série chamada "Meninas do Mal", que mostrava o lado sombrio das princesas da Disney, com o término da série, ele abriu pras meninas que quisessem mandar fotos do seu lado sombrio, e hoje minha carinha 'maligna' está por lá, quem quiser conferir meu lado 'dark' (zueira total), passem lá: "DITOS PELO MALDITO"

terça-feira, 30 de março de 2010

Versos não ditos (ou ditos na hora errada) I

Folha de seda verde-azul

Lua de Vênus, cartas na manga
mangas tiradas da bananeira
Corda de ouro, concha de areia
rosa-fruta-flor voa em pó
Brisa suave, nuvem chicoteia
dois sóis no céu cantam em dó
E a menina de asas? Sonha...
.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Para alguém, de presente.

Livre e leve. Voa saltitante; pétala solta à brisa-verão. Cabe tudo em sete versos? 30 espaços? Fonte Verdana? Tamanho 11? Que caiba pelo menos a intenção... Da rima, tesouro e paixão. Do arco-íris de estrelas cadentes. Da música suave e forte ao piano. Do sorriso dele, que pego inocente. Da flor cultivada em nuvem de outono. Que caiba pelo menos o meu coração.


Só ele, e nada mais.
Esse coração de palhaça.

terça-feira, 23 de março de 2010

por dentro das reticências...


Eu gosto dos risos contidos, exprimidos e retidos, que no fim (...) não conseguem se conter. Gosto do olhar, do canto dos olhos, desviado, disfarçado, fugido, que no fim (...) não consegue se esconder. Eu gosto das mãos esbarradas, tímidas, risonhas e trôpegas, que no fim (...) não conseguem se mover. De tudo isso. O que eu mais gosto. São os encontros e desencontros que no fim (...) vão se resolver.

(...no fim da linha, do fio,
da lembrança.
Do pensamento.
No fim das reticências,
por DENTRO das reticências,
parênteses precários,
tudo pode acontecer...!
E é por isso que planto as
sementes.
Espero as flores do mês de abril...
a temporada!
Chuva de cores e laços,
de fita amarelo-azul.
Um viva ao Rei-vento, o Poeta-trovão!
E a todos vocês,
queridos passageiros,
minhas caras boas vindas,
À estação reformada de Vênus.
Boa viagem;
apertem os cintos;
sigam as cadências febris;
aqui fala, da estação-mor, a Maquinista do tempo
tempo-espaço aqui-agora
onde Reina o meu Príncipe-Poeta...)


quarta-feira, 10 de março de 2010

conforme as Imagens*


E a paisagem descia macia, da ponta dos meus dedos trêmulos à folha de papel recém-cortada da raiz-árvore-mãe. E a cada movimento de lábios, e piscar de olhos, novas montanhas, flores e pássaros surgiam na letra desenhada em folha de seda verde-azul. Girassóis cata-ventos de cêra, e beija-flores de giz. No tempo espaço aqui-agora, e nada mais que água e ar. Nada além de terra e céu. Nada mais forte que as mãos dadas e a melodia fina da flauta-lisa - que acabei de inventar. Tudo isso pra quê? Por quê? E como?

Pra que eu respirasse. Porque a vida florescia. Como eu sonhava.
E eu não queria ficar pra trás. Não poderia.

*

sábado, 6 de março de 2010

da Estante para a Vida (real?)


A face que encoberta a face,
que dá outra vida,
outro corpo, outra alma,
outros olhos...

O jeito que transforma os jeitos,
modifica as vozes,
os 'tiques', os passos,
as solidões...

A pele que adere a máscara,
que encoberta a face,
que transforma os jeitos,
que dá vida a novos seres.

Pensantes. Pensáveis. Pensadores...
Bonecos pulsantes caminhando
alados, em meio a carros, cores, gestos,
Cenas. Coxias. Cortinas. Atos.

Flutuando... Amando... Atuando...
Em Meio a Vida. Em Meio de Vida. Em Vida sem Meio.


(Decorando rostos, criando vida...)


(Na foto acima, meu primeiro trabalho com Máscaras e gesso, mais fotitas e detalhes no meu outro blog onde exponho meus 'trabalhos': www.atelie-bailarina.blogspot.com)

terça-feira, 2 de março de 2010

[In]quieta.


E se... de repente,

O meu quarto virasse de ponta cabeça?
O mundo resolvesse girar pro outro lado?
A lei da gravidade começasse a nos expulsar da Terra?
E a inércia nos cortasse violentamente o movimento?

E se... de repente,

O corpo em repouso se libertasse em gestos fortes?
A velocidade média se calculasse sem a medida do tempo?
Murphy aconselhasse as pessoas a serem otimistas?
As lâmpadas soltassem o escuro pra abafar o brilho da noite?

E se... de repente,

Não existisse tpm, cólicas mentruais ou dores de parto?
Os homens não pensassem nas curvas femininas?
O número PI fosse exatamente 4.0?
Eu tivesse o poder de acabar com todas as leis da física?

E se... de repente,

Tudo isso já não tivesse acontecido?
E a minha escrita não passasse de borracha?
E minhas letras de sabão em pó barato?
Então meu desafeto (des)ilusório, em amor se converteria?

E se... de repente,

Todos olhassem e vissem através de mim?
E só importasse o meu coração? [...]
E as aparências fossem detalhes genéticos desapercebidos?
E então a moda seria o silêncio e a meditação?

E se... de repente [...]

Você quisesse mesmo resolver a equação gramatical de Vênus?
Bem, nesse caso, e só nesse... eu abriria uma concessão,
E cederia à ordem natural das coisas.
Voltaria ao tempo em que nada era cadente.

Até lá, melhor dormir...
Boa noite!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

da vontade de fugir com o circo.



É inveja da Mariazinha, é vontade de andarilhar, é saudade do desconhecido, é sentir o outro vibrar, é querer trazer sorrisos, é cada dia se apaixonar, é vida de Dom sem Xote, é o impulso de dançar, é voar por entre as cordas, é num dedo se equilibrar, é vida de gente sem vida, que vive pra se doar, é fazer as malas e ir embora, é dizer adeus e depois voltar, é o pulso que vem do fundo, é o brilho que o olho dá, é um amor em cada porto, uma criança em cada lugar.

É o que dá corda ao meu porta-jóia de bailarina. Eu preciso de cor.