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quinta-feira, 30 de junho de 2011

amor moderno.

Horas e horas na janela
debruçada
e trançada
esperando ele passar
Passa João
Passa Margarida
e do amor não passa nada
nada do amor passar.

Fica ela bem quietinha
vem o sono
puxa uma cantiga
e na janela põe-se a cantar
Passa Carlos
Passa Juliana
e do amor não passa nada
nada do amor passar.

Troca de posição, vira a perna
gira o pescoço
cobre a canela
que o sol já vai se pôr
Passa amigo
Passa parentada
e do amor não passa nada
nadica dele na janela do computador.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

um recorte de Alma Funda.


Em Alma Funda há tanta chuva guardada pra jorrar.
Tanta que poderia encher o mundo, o universo.. o solar.
O que foi semente, hoje é folhinha,
pequena assim
tal qual um grão,
a gente planta achando que é rosa
e quando vê só vem botão.

Viva a água de cada dia.
Viva a água.
Viva João.

Em Alma Funda há tanta faísca, tanto carvão pra queimar.
Tanto que poderia ser mil vezes sol, vulcão ativo, potência lunar.
O que foi ferro, hoje é armadura,
firme assim
tal qual diamante,
a gente olha achando que é chapéu
e quando vê é elefante.

Viva o fogo de cada dia.
Viva o fogo.
Viva Rocinante.

Em Alma Funda há tanta água, tanto fogo, terra e céu.
Que as coisas todas se confundem se tornando incomparáveis, favo com abelha e mel.
O que foi - foi, o que hoje - é,
simples/complicado assim
tal qual coração de mulher,
a gente olha achando que é lírio
e quando vê é bem/mal-me-quer.

Viva o dia de cada dia.
Viva o dia.
Viva José.


Viva os pés descalços.

terça-feira, 26 de abril de 2011

reencontro de dois-um.

Guardo a minha canção
pra quando você voltar.
Eu te canto bem baixinho
se você me acompanhar.
Se você me prometer,
que sempre eu vou te ter,
independente do lugar.

E fica essa sensação 'boba' de que já te conhecia de algum lugar. Um lugar maior, quem sabe. Nosso esconderijo secreto.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sobre o dom supremo.

"Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios da ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará. O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das cousas próprias de menino. Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor." (I Epístola de Paulo aos Coríntios, capítulo 13)


quinta-feira, 14 de abril de 2011

chuva fina.

Eu quero o seu brilho.
Abraço. Carinho.
Eu quero o seu sopro.
Amor de mansinho.
Não quero um pouco.
Lhe quero todinho.
Daquele jeitinho,
na beira do porto,
casa de reboco,
com água de côco,
de chuva ou de vinho.
Me canta no ouvido,
me arranca um suspiro,
me avoa contigo,
pro nosso infinito,
pro nosso cantinho,
ali bem juntinho,
de rede ou de ninho,
chuva ou sol à pino,
você aqui comigo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

meu tempo de dar tempo ao tempo.

Uma de minhas passagens favoritas...



"Tudo tem o seu tempo determinado,
e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer;
tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar;
tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir;
tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras;
tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder;
tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser;
tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar;
tempo de guerra, e tempo de paz."


(Eclesiastes 3: 1-8)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Bailarina II - Desmentindo Chico


Bailarina
da perna quebrada,
da saia rasgada,
do cabelo chanel.
Menina
do café requentado,
dos dias nublados,
do sonho e do céu.

Bailarina (continua)
sem Soldado-de-Chumbo...


[quem disse que ela não tem?]

sábado, 29 de janeiro de 2011

e agora... ?



"E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?"


(José - Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ela diz por mim.

Sinal Fechado - Chico Buarque

- Olá, como vai?
- Eu vou indo, e você tudo bem?
- Tudo bem, eu vou indo, correndo, pegar meu lugar no futuro, e você?
- Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono tranquilo, quem sabe..
- Quanto tempo!
- Pois é, quanto tempo...
- Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios,
- Qual, não tem de quê. Eu também só ando a cem.
- Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí.
- Pra semana prometo talvez nos vejamos, quem sabe...
- Quanto tempo!
- Pois é, quanto tempo...
- Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas..
- Eu também tenho algo a dizer, mas me foge a lembrança..
- Por favor telefone eu preciso beber alguma coisa rapidamente.
- Pra semana,
- O sinal...
- Eu procuro você.
-
Vai abrir, vai abrir..
-
Prometo não esqueço..
-
Por favor não esqueça, não esqueça..
- Adeus.
- Adeus.

domingo, 1 de agosto de 2010

Poema pra quando ela voltar.

Criança moleca bate asas.
Voa longe.
Brinca de ser gente grande.
Brinca longe.
Constrói castelos de areia nevada.
Constrói longe.
Troca a casinha por nova morada.
Troca longe.
Pinta pastel a própria história.
Pinta longe.
Cria saudade do sorriso levado.
Cria perto.

Vai, pequena, ser grande na vida.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Canção da Falsa Tartaruga


"Cante a 'Sopa de Tartaruga' para ela, certo companheira? A Tartaruga Falsa soluçou profundamente, e começou a cantar, numa voz entremeada por soluços:

'Que bela Sopa, suculenta e trigueira,
Espera por nós na quente sopeira!
Quem por ela não suspira, não diz opa?
Sopa da noite, que bela Sopa!
Sopa da noite, que bela Sopa!
Ooooó... Bela Sooo... paa!
Ooooó... Bela Sooo... paa!
Sooo... paa da nooo... iii... teee,
Bela, bela Sopa!
Que bela Sopa! Quem quer saber de pastel,
Assado ou outro pitéu?
Uma sopinha fumegando no prato,
Não é de se tirar o chapéu?
Ooooó... Bela Sooo... paa!
Ooooó... Bela Sooo... paa!
Ooooó BEEELA SOOPA!

'O refrão de novo!' gritou o Grifo, e a Tartaruga Falsa estava começando a repeti-lo quando se ouviu um brado à distância: 'O julgamento está começando!'.

'Vamos!' gritou o Grifo, e tomando Alice pela mão, saiu correndo, sem esperar pelo fim da canção.

'Que julgamento é esse?' perguntou Alice, ofegante, enquanto corria; mas o Grifo respondeu apenas 'Vamos!' e correu ainda mais depressa, enquanto, cada vez mais tenuemente, carregadas pela brisa que os seguia, lhes chegavam as palavras melancólicas:

Sooo... paa da nooo... iii... teee,
Bela, bela Sopa!
"


(retirado de "Aventuras de Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carrol, tradução de Maria Luiza X. de A. Borges)

sábado, 12 de junho de 2010

à La belle

Donos dos próprios sonhos, riem soltos.
Enrolados na própria história,
na própria dúvida,
no próprio medo, sorriso e
brilho.
Sapequice escondida no beijo de
um domingo azul.
Intrínsecos. Múltiplos. Vários.
Um.
Redondamente apaixonados.
Crianças. Adultos. Poetas que viriam a ser.
Recheados com licor de cereja
e creme de chantilly.
Inventores dos próprios moinhos, choram soltos.
Divididos em corda-bamba,
ora no céu, ora no chão.
Misturados de poesia, verso e prosa.
Recém-morados, casados,
bebuns.

Aos dourados cachos de Jour: Sim!
Vamos acreditar!

______________
Observações do dia que já não me lembro qual é: parábola da semeadura (você colhe o que planta), efeito cascata/borboleta (você vive o que escolhe/você colhe o que planta), ansiedade do querer fazer (engessamento do cérebro).

terça-feira, 27 de abril de 2010

Pra aliviar a tensão. E o coração. III - Cavaleiro-Mor


Na janela, um pássaro verde
o mesmo de outrora,
agora pousado
em meio as árvores e flores do mês de
abril.
Mergulho oceano adentro meio a
águas flutuantes,
algas roxas.
montada na garupa de um
cavalo-marinho negro,
de crina flamejante.
junto ao Cavaleiro-mor.
O digníssimo e honrado Cavaleiro
Pássaro Voante de Chumbo
condecorado pela ordem da Águia
Rubra..
Inglesa ou polonesa, sabe-se lá..
E quem se importa? Ubu talvez. (risos)
Porque eu,
querido Poeta,
me interesso pela
resposta sincera e disposição dos seres,
quero o doce vinho/leite - gratuito, dado.
Amor inocente.
Tarde de outono.
O encanto das Suas linhas
(e dos encontros)
Vida-roda a vir e rodar.

"Estranho o destino desse jovem mulher, privada dela mesma, porém, tão sensível ao charme das coisas simples da vida..." (Filme: Amélie Poulain)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pra aliviar a tensão. E o coração. II - Flores Abrilianas

Flores, nuvens e perfumes
incendeiam o mês
de abril.
Cores, imagens e morangos
acompanham os
dias.
outrora apagados,
outrora desnudos,
outrora esfomeados,
outrora insaciadas
as sedes.
Outroras... amoras... auroras...
Da brisa, do ar, do calor, da
água morna.
Agora a sexta. (sem feira ou
outra complementação)
Agora a temporada
descoberta de peixes voadores e
pássaros errantes desbravando o oceano
(adentro).
As pétalas escancaradas
pra receber a luz do sol. Mas
principalmente agora,
a luz da lua.

"Quando o dedo aponta para o céu, o idiota olha para o dedo" (Filme: Amélie Poulain)

domingo, 11 de abril de 2010

Pra aliviar a tensão. E o coração. I - Pássaro de papelão

Na janela, um pássaro verde;
vejo nítido
Tão real quanto a flor branca, e a joaninha
outrora pousada na minha mão;
arredio chega, curioso olha,
me engole com o vago olhar (e não-olhar)...
de quem quer sugar a alma
em cores verdes/vermelhas.
Todas fortes. Vivas.
Folhas e morangos (que vontade!).
Então (en)canta-me.. em tons maiores,
menores que sol.
abre as asas com um quê de provocação,
desafio, teste... como se esperasse
ver se eu ousaria dizer não.
Eu disse, fechei a janela;
mas continuou firme. Provocador.
Nítido. O pássaro verde.
Agora na árvore com o mesmo duro olhar;
Abro então, a porta. Digo sim.
E mergulho em suas penas.
Mergulharei.


"Então, pequena Amèlie, os teus ossos não são feitos de vidro. Podes levar algumas pancadas da vida. Se deixares escapar esta oportunidade, eventualmente o teu coração vai ficar tão seco e quebradiço quanto o meu esqueleto. Então, vai apanhá-lo!" (Filme: Amèlie Poulain)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Versos não ditos (ou ditos na hora errada) II

Flor por encomenda

Letra contada, verso contido,
poema restrito, rima desfeita.
Então me atiro, retiro
a letra, o acento, a rima,
ponto e exclamação!
Fica a essência, palavra feita,
q'arde viva, me rouba canção!
.

terça-feira, 30 de março de 2010

Versos não ditos (ou ditos na hora errada) I

Folha de seda verde-azul

Lua de Vênus, cartas na manga
mangas tiradas da bananeira
Corda de ouro, concha de areia
rosa-fruta-flor voa em pó
Brisa suave, nuvem chicoteia
dois sóis no céu cantam em dó
E a menina de asas? Sonha...
.

sábado, 27 de março de 2010

a Arte nos libertará!

Hoje, dia 27 de março, é o dia Internacional do Teatro e do Circo. A todos os colegas, parceiros, amigos, mestres, 'ídolos', só posso dizer uma coisa: merda sempre!



"Penso que passo,
que piso, que fujo,
Ao passo que fujo
pensando em pisar
Penso e repasso o
que penso da fuga
Nada, nada, repito em voz baixa,
roubando Adélia,
o Teatro nos libertará!"

(autor desconhecido)

sábado, 6 de março de 2010

da Estante para a Vida (real?)


A face que encoberta a face,
que dá outra vida,
outro corpo, outra alma,
outros olhos...

O jeito que transforma os jeitos,
modifica as vozes,
os 'tiques', os passos,
as solidões...

A pele que adere a máscara,
que encoberta a face,
que transforma os jeitos,
que dá vida a novos seres.

Pensantes. Pensáveis. Pensadores...
Bonecos pulsantes caminhando
alados, em meio a carros, cores, gestos,
Cenas. Coxias. Cortinas. Atos.

Flutuando... Amando... Atuando...
Em Meio a Vida. Em Meio de Vida. Em Vida sem Meio.


(Decorando rostos, criando vida...)


(Na foto acima, meu primeiro trabalho com Máscaras e gesso, mais fotitas e detalhes no meu outro blog onde exponho meus 'trabalhos': www.atelie-bailarina.blogspot.com)