quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um poema


Hoje quero um poema,
não da temporada das estrelas
ou brilho das flores.
Não da meia-luz que envolve a calçada
ou escuridão que dilata o beco.
Um poema
solto, sem compromisso, sem rimas,
que não necessita de sentido.
Só letras,
que jogo mesmo sem pensar.
(ou pensando pouco)
É só vontade de escrever
um poema
que me diga o que eu quero ouvir.
(que é na verdade, silêncio)
Então não digo, desfalo, desfaleço
sem notar...
... na sinfonia das notas musicais
mudas, secas,
dentro do meu pensamento distante.
Faz frio e calor
nos meus sonhos confusos.



(Só queria mesmo escrever um poema.)

domingo, 15 de novembro de 2009

Performance

.
Quantas mulheres existem em você?
(Consegue lidar com todas elas no dia-a-dia? Qual você mais gosta de ser? Qual menos gosta?)

video

Pra quem queria ver vídeo de alguma 'arte' minha (em todos os sentidos da palavra), está aí. Performance realizada nessa sexta-feira (13/11/2009), na praça Tubal Vilela, comércio, ônibus e Terminal Central em Uberlândia - MG. (com direito a vídeo cassetadas no meio... >.<)

Mulheres atrizes: Aline Jorge, Diana Magalhães, Letícia Ferreira (eu \o/) e Micaela Oliveira.

Foto e vídeo:
Sirlei Jr (designer)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

'Fico com a pureza das respostas das crianças'


"Vocês nunca vão conseguir acabar com os poetas,
vocês não podem matar aqueles que ainda não nasceram!"

( fala de uma criança de 8 anos durante a cena de um espetáculo
em que militares prendiam e matavam artistas e poetas)



Porque as crianças entendem, sim!
E são mais espertas do que muita gente grande por aí..

sábado, 7 de novembro de 2009

"as pessoas não podem viver apenas de canções de amor"


"Havia um menino, um estranho e encantador menino...
Diziam que ele vinha de muito longe,
além da terra e do mar.
Era um pouco tímido, de olhos tristes...
Mas era muito sábio.
E então, num mágico dia, ele cruzou o meu caminho,
e enquanto nós falávamos de tolos e reis,
ele me disse:
'A coisa mais importante que se pode aprender é
a amar, e em troca ser amado!' "

(Nature Boy - Moulin Rouge)


..."o show deve continuar!"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Um pouquinho de tudo.



Um pouco da rua, do beco, da esquina
Da parte que passa e ninguém vê
Um pouco da praça, do chão, da surdina
Das linhas que escrevo e ele não lê
Um pouco do que vejo, escrevo e pinto
Da vista da lua da minha janela
Um pouco do inteiro de tudo o que sinto
Dessa menina boba de fita amarela

(E só pra fechar, um pouquinho da primavera em fim de tarde.)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Asas de borboleta


Agora ela tem certeza. Ela vê. Está claro e óbvio, como, na verdade, sempre fora. A questão não eram os pássaros, nem os vagalumes, nem os leões ou cavalos-marinhos. O problema são suas asas (elas que não conseguem se aquietar por nada, nem ficar tempo demais pousada na mesma rosa branca). Sua alma de borboleta anseia por explorar cada vez mais novos jardins floridos. Por pousar em todas as flores. Por conhecer o desconhecido e buscar o inalcançável. O problema é sua insaciável sede de mudança. Sua incapacidade de ser só uma borboleta, quando poderia ser várias de uma só vez. Porque no fundo, bem no fundinho mesmo, ela acredita na beleza dos amores impossíveis e inconcretizados (mesmo não existindo essa palavra). Ela gosta da magia da primeira troca de olhares, a energia dos primeiros sorrisos, a inocência dos primeiros beijos. Prefere mesmo viver de sonhos, do que vê-los todos a desmoronar.

Talvez o amigo do amigo do seu novo amigo tenha razão. Talvez o melhor seja se apaixonar a cada semana. Se apaixonar pelos detalhes, pelo brilho que ninguém vê. Pelo néctar de cada flor. Pela asa de cada borboleta. E viver essa paixão sozinha, intensamente, sem correr o risco que ela dure mais ou menos do que precisa durar, que ela se desgaste. Pra que ela comece e termine sem perder a cor.



Dizem por aí que elas, as borboletas, só vivem 24 horas...

sábado, 24 de outubro de 2009

IP-IP-URRA's

('os pobres amigos músicos' - pra ninguém se sentir rejeitado. rs)


O cansaço e exaustão revigoram a alma, recobrem as forças, liberam um último fio de energia - forte, indestrutível, presente. Um desabafo condensado e altivo, canalizado à um último suspiro: a arte. Arte de esconder a verdade, de poder ser o que não é, ou o que é, mas não acredita ser, de ser feliz e se entregar por um instante, se doar, se ridicularizar, se permitir SER, simplesmente... Uma última gota de suor. Um último 'IP-IP-URRA' antes de começar o espetáculo.

Essa semana apresentamos 3 vezes a 'Mariazinha', espetáculo criado de última hora para a inauguração do livro 'Histórias da Roça', organizado pela minha professora Dani, o livro reúne histórias e causos contados pelos próprios moradores da roça, pelo povo. Com essa experiência vieram muitas coisas realmente boas pra mim. (Resolvi ser audaciosa). A estréia foi no sábado passado (17/10), onde tivemos como palco uma Escola na Roça. A segunda apresentação foi na quinta (22/10) na UFU, frente ao nosso bloco, dentro da programação da Semana do Mestrado. E por fim, hoje, ou melhor, ontem (24/10), apresentamos na Escola Viva, para alunos (de 1 a 7 anos), pais e professores.

É interessante reparar na reação de cada platéia, como isso alterou na hora da apresentação, pelo menos o meu resultado, meu movimento interno, minha ação interior, como diria o bom e velho morto Stanislavski. A simplicidade do primeiro público, o olhar crítico do segundo, e os sorrisos do terceiro. Cada qual com suas vantagens e desvantagens. Com seus prós e contras.

Mas o que vale mesmo, é a força e a coragem, a magia do Teatro de Rua, o 'téti a téti', olho no olho. O jogo com cada platéia. A platéia com cada jogo. O brilho dos olhos. A cumplicidade conquistada. Os erros disfarçados. É o: 'foi o dia mais feliz da minha vida!'. O aprendizado. A vontade de gritar pro mundo.. que o teatro veio do povo, e para o povo. E só.

Como disse um velho amigo, quando me apaixonei pelo teatro:

'VIVA O TEATRO E SEUS ENCONTROS ( ! )'


Ps.: Fotos da apresentação na roça.

domingo, 18 de outubro de 2009

Histórias da vida


Dessa semana eu tiro o cansaço, a exaustão, o sono mal dormido, a sensação de impotência e de descaso. Eu tiro a dor de não ter dado certo, eu tiro o 'monstro'. Eu tiro as lágrimas, o clima tenso, a cabeça baixa para saber ouvir - sem gritar de volta o que pensava. Tiro a insegurança, o medo da perda; tiro uma vida que poderia ter sido - mas não foi. Tiro meus filhos. Mas também tiro o sorriso das crianças, a coragem de ter sido sincera, eu tiro o alívio do desabafo, a alegria de um trabalho começado e a maravilhosa sensação de dever cumprido, eu tiro o peso que estava na consciência, e tiro o brilho dos olhos dos humildes. Tiro a energia e os aplausos da platéia. Eu tiro o recomeço - o passado agora. O que antes era e nunca deixou de ser. Eu tiro a cara, tiro a alma, mostro a cara, e me dôo pra vocês - e pro Teatro!

Essa semana eu renasço - como a fênix - das cinzas.
Eu ressuscito os cavalos-marinhos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

'Não solta da minha mão'.


Você já parou pra pensar quantas vezes e com quais finalidades você usa sua mão no dia-a-dia?

As mãos carregam as marcas de toda a vida, talvez mais que qualquer outra parte do corpo, as marcas do trabalho, das lutas, das vitórias, das derrotas, do rádio que você puxou pela tomada (desobedecendo sua mãe) e caiu em cima do dedo - essa vai pra minha irmã. As mãos brigam e reatam. Ofendem e acariciam. Condenam e se redimem. Intercedem e julgam. Confidenciam e revelam. Escondem risos, enxugam lágrimas, escrevem segredos. As mãos falam, por si só, deixam mensagens escondidas nos gestos, que poucos vão perceber. As mãos fazem. Agem.

'Um gesto vale mais que mil palavras', se ainda for com as mãos...

Ps.: enquanto ele lia

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Bonecos-de-areia

Com as minhas sinceras desculpas pelo comentário no post do dia 15 de julho (Tédio); quando disse que minha irmã não quis me fazer um boneco de neve. Dona Marilinha Maricota voltou nesse sábado pra França, e não é inverno, logo não vou mesmo ganhar meu boneco de neve, mas ganhei uns bonequinhos de areia internamente lindos! hauahuahua

Obrigada maninha e obrigada cunhadinho (que também teve sua participação especial)!


Maricotinha, tudibom pra você aí!
Que Deus te ilumine e guarde e mande muitos anjinhos pra conversar com você em português. hehe


Te amo!
Beijocas com sodade!

domingo, 6 de setembro de 2009

Sim, eu sonho.

Ar puro. João-de-barro na laranjeira. Pantufas de coelhinho. Casa amarela de campo. Varanda aberta. Rede laranja. Fim de tarde. Balanço de pneu. Tempo nublado. Farfalhar das árvores. Rio cheio cristalino. Cobertores no sofá. Vento gelado. Plantação de girassóis. Chocolate quente. Abraço apertado. Barulho de chuva.

Queria os dias todos assim... cor-de-rosa e cinzentos. Com cheiro de carinho e gosto de quero-mais.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Máscara II


"Aprendendo a receber aplausos e amor"
(JuuMaltos)

Eis a menor máscara de todas, a que menos esconde,
e que mais revela.

.
Máscara I (postagem do dia 14/06/2009)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Joaninha

Macacão de palhaça, diabolô num ombro (como carregam aqueles pedaços de pau com uma trouxa amarrada na ponta), um martelo gigante no outro. Um fusca miniatura na mão direita. Ia andando a pé, acompanhada por 2 amigos, 1 prima e o companheiro de vida. - 'Para onde vamos mesmo?', - 'Pro shopping, comer alguma coisa' (responde um dos acompanhantes). - 'Ah sim'... O caminho parecia ter triplicado de tamanho. - 'Não faz sentido irmos à pé, estou com o fusca, e agora já tenho carta de motorista'. No momento que pronuncia essas palavras um olhar geral pro fusca na mão da moça, formação de roda, ela estica a mão com o fusquinha em um lugar estratégico (no meio da roda) pra que todos pudessem vê-lo. Clima tenso no ar, alguns pareciam com medo do carrinho, e outros com medo da motorista. Até que uma voz quebra o gelo: - 'Não vai caber todo mundo aí dentro, é muito pequeno'. Uma concordância geral com o comentário, e a moça retruca: - 'Tudo bem, só precisamos passar num posto ou borracharia pra enchermos ele'. Um posto à uns dois quarteirões de distância, todos se encaminham para lá, chegando a moça fala ao atendente: - 'Como faço para aumentar o fusca?', estende a mão com o mini-carrinho mostrando ao atendente. Ele pega o fusquinha, vira e revira, até que acha um biquinho e o mostra pra moça: - 'Aqui óh, é só soprar e encher!'. - 'Ahn, ok, obrigada. Viu gente? É só encher'... Vão todos andando enquanto a moça vai soprando o biquinho. Depois de muito esforço e de já estar quase morrendo sem ar, parou, o fusquinha já tinha, aproximadamente, uns 50cm de comprimento. - 'Acho que já está bom!', diz a moça abrindo a bolsa e pegando a chave do Joaninha (nome que dera ao carrinho), abre a portinha e levanta o banco da frente, todos a olham com receio, ela balança a cabeça e comenta animada: - 'Vamos gente, é só entrar'. Todos entram no fusca, incrivelmente espaçoso por dentro. Pegam a avenida principal e... a moça chega ao quarto, sozinha, está deitada na cama, acabando de acordar.

sábado, 25 de julho de 2009

Florela II

No dia 30 de abril de 2009 eu dei a menina (Ela.. a Florela). Não vendi ou a abandonei nos lixos como muitos fazem. Eu nunca teria essa coragem, mesmo porque ela era preciosa demais pra mim pra que eu cometesse uma atrocidade dessas. Eu que a apanhei nas ruas, estava jogada num jardim qualquer, aonde mesmo tinha nascido. Então a retirei e levei pra casa. Dei-lhe um cantinho pra ficar em um dos meus livros mais preciosos. A acolhi e lhe dei todo o meu amor. Mas chegou um dia. Um dia aparentemente normal, se não fosse pelo mau humor excessivo e minha chateação com ele (que ainda não entendia dos meus amores e desamores). Como eu já disse, 30 de abril de 2009, o dia que sacrifiquei (por um bem maior, que fique bem claro) e ao mesmo tempo libertei minha menina. Tinha-a esquecido dentro da minha bolsa e acabei por levá-la comigo no meu caminhar vazio, então ele apareceu, forte e indiferente como sempre. Eu não sabia o que fazer ou falar, então, quando abri a bolsa e vi Florela, não tive outra saída, era a única coisa que podia fazer ou oferecer, a entreguei nas mãos dele. E com ela, foi junto minha alma. Porque nela estava meu tesouro, minha verdade escondida, eu e ela tínhamos a mesma essência, o mesmo cheiro, o mesmo sopro de vida, o mesmo coração. Percebi então que eu era a menina, e que agora eu já não mais me pertencia. Então ele nos guardou em sua bolsa, um pouco impressionado e surpreso com essa atitude repentina. A dívida estava paga, o preço estava pago, o jogo estava aberto e as pétalas na mesa. E quando ele descobriu nosso segredo (meu e de Florela), nossas vidas não foram as mesmas. Mas isso já são folhas pra outras histórias, que só as borboletas vão saber.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Desajustada


Deu a louca no meu relógio biológico:

Passo os dias e tardes
sonhando,
E as noites acordada
pensando...

Chamem um técnico, por favor!

domingo, 12 de julho de 2009

Enfim, voar!

"E um coro de astronautas,
de anjos
e crianças,
bailando ao meu redor,
me chamam:
- Vem voar!
(...)
E de tão livre, chorarei!"


(adapt. Balada para um louco - Moacyr Franco)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Pessoas. Do dia 06 de julho de 2009.

Na fila do banco um senhor de cabelo branco, capacete côco (aqueles de motoqueiros de estrada, meio punk) e um sapato mocassim marrom claro. Ele esperava pra fazer um depósito. 'Esses capacetes são proibidos'... (pensei). 'Talvez ele usasse só como um chapéu, afinal, não o tirou da cabeça pra entrar na fila, mas se bem que não combina muito com os sapatos'... (pensei de novo). Até que ele estava estiloso. Acho que ia para um racha depois do depósito.

No restaurante universitário um carinha passa com o bandeijão de comida na minha frente, camisa de time de futebol com as cores do 'Tabajara Futebol Clube', atrás não tinha nome, só o número e uma escrita assim: 'SUA MÃE F.C.'. 'Deve ser algum xingamento'... (pensei) Me senti meio inocente por não entender a piada. 'Porque deve ser uma piada'... (pensei de novo). Até que ele não me é estranho. Acho que estava com pressa.

Na cena das meninas encarceradas de roupas íntimas, os pedreiros da construção a frente param para olhar. Um comenta: 'assim eu até paro o meu trabalho!'. Usavam roupas de trabalho, botas de borracha e capacete de segurança. 'Os pedreiros são todos iguais'... (pensei). 'As meninas fizeram o dia deles'... (pensei de novo). Até que estavam bem concentrados na performance. Acho que a partir de agora eles vão se interessar mais por arte.

Na loja de sapatos dei em cima de um vendedor careca com uma roupa preta, pra ver se fazia um preço mais bacana. Roubei o celular do caixa quando foi pro estoque com o vendedor. Voltaram com um tênis branco enorme, quando eu tinha pedido um scarpin preto, levei o tênis. Fui premiada com um bonequinho do mascote da loja como a cliente número 5000! 'Queria era ter ganhado o caixa. Como ele é lindo!' (pensei) 'Pena ser antipático e eu já ter dado em cima do vendedor...' (pensei de novo). Até que a loja não era das piores. Acho que estavam com crise financeira.

Na reunião de noite aparece uma extraterrestre, com uma calça larga cinza, blusa preta e meia colorida. Tinha um andar muito estranho, e uma gosma rosa metálica insistia em tentar sair da sua barriga. 'Isso não pode ser da minha família'... (pensei) Disse que se chamava Diana. 'Uma extraterrestre chamada Diana.. puutz'... (pensei de novo). Até que ela era bem normalzinha para uma ET. Acho que estava tentando se disfarçar de gente para abduzir alguém.

Na frente do computador, enquanto escrevo esse texto, uso um short xadrez, uma camiseta branca escrita 'Hospital do Câncer, tem meu patrocínio' e uma piranha verde-musgo prendendo o cabelo. Minha boca tem gosto de café misturado com atroveran gotas. 'Isso de que tampar o nariz tira o gosto não adianta nada, a gente destampa e o gosto vem, graande coisa'... (penso) 'Eu devia estar fazendo o portfólio do PIPE ou o artigo da Renata... ou os dois!' (penso de novo). Até que o texto tá ficando bacana. Acho que ninguém vai acreditar que tudo isso é verdade.

Mas... quem sabe, entende!

Pessoas. (porque cada uma que passa por nós tem uma história, um amor e um desamor, um medo e uma coragem que não se sabe de onde sai nas horas de desespero, uma fé e um ateísmo, uma vitória merecida e uma derrota que nunca irá esquecer, uma preocupação que lhe tira o sono e uma paixão que lhe tira o chão, um sonho de criança e uma desilusão de adulto. Passam por nós com toda essa carga, com toda essa vida e história, pedindo socorro, oferecendo ajuda, pedindo abraço e renegando carinho. Passa... E a gente nem vê!)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ninfas e ornitorrincos

Quem trouxe roupa pode colocar./Acompanhe a bola com o olhar até parar./Parou, olha pro público e pega a bola./É simples./ Use a dor da pisada no pé!/Vocês agora são ninfas dançando, pensem naqueles filmes de fadinhas infantis (Xuxa e os doendes? Nooooo)/E, de repente, essas ninfas saem do balé clássico e começam a dançar no estilo 'É o tchan'/Estão enlouquecidas, cara de ornitorrinco no cio (Puutz, ornitorrinco no cio? Ôoo criatividade)./Quero que venham de borboleta, vamos levar pro 3Q./O mais difícil é descobrir a lógica do palhaço./Ela determinará a roupa e o jeito de agir./Fiquei lembrando da música do Engenheiros... 'qual é a lógica do sistemaa...', nada a ver!/Pare de frente ao espelho e se examine, explore suas estranhezas, é ótimo que seja estranho./Quem não o é fica dependente de maquiagem (questão: maquiagem vicia?)/Paródia também está no cômico mas não é do clown./A questão é que riam de você, e não de uma primeira referência./ Então... férias? - Daqui sim./ Segunda fechamos com as cenas./Pulga atrás da orelha: onde será que essa tal de lógica escondeu pra que eu ache?/


Meu bem, desculpa te plagiar de novo!
(Quem sabe sabe... entende!)

domingo, 14 de junho de 2009

Máscara I

De trás da coxia, com as mãos trêmulas afundou o chapéu côco preto o mais fundo que pôde na sua cabeça, olhou pro nariz vermelho em cima da cadeira ao lado, tirou de novo o chapéu da cabeça, agora ainda mais ansiosa, colocou o nariz, aquela máscara (a menor de todas) que deveria lhe revelar e não esconder, como sempre pensara. Recolocou o chapéu, e com borboletas na barriga bateu na madeira do biombo... 'toc toc'. Um segundo de silêncio, e uma voz masculina bem conhecida lhe gritou de longe: 'ADELAAAANTE!!!'

Tímida e temerosa adentrou ao picadeiro, primeiro o chapéu e a cabeça, depois o restante do corpo, com pequenos passos e mordendo o cantinho direito da boca foi chegando ao centro, cerca de uns 12 rostos curiosos lhe olhavam fixamente, e quando seus olhos passavam pelos olhos deles parecia que lhe sugavam a essência, e ela teve medo. Reconheceu o dono da voz que lhe gritara, e este lhe fez um sinal pra que levantasse um pouco chapéu, ficou ainda mais nervosa, e em um gesto tímido de quem brinca com a platéia foi levantando o chapéu... o silêncio era cortante, será que tinham gostado dela? Será que a amavam? Uma sensação de estar sendo lida...

Decidiu levantar os braços, num pedido de aplausos (ou vaias), sentiu o rosto corar nesse instante... o silêncio continuou por um segundo, e quando seus braços chegaram ao rumo do ombro, uma explosão de aplausos, gritos de 'TE AMOO!!!', 'LINDA!' e um ousado 'GOSTOSAA!!!', deu um suspiro risonho de alívio e conteu algumas lágrimas, a cena congelou naquele instante, sabia que estavam sendo sinceros e aquilo lhe lavou a alma e tocou fundo no seu coração.

Brincou um pouco com o chapéu colocando-o sobre o peito e abaixando a cabeça num sinal de reverência e agradecimento... não sabia exatamente se queria sair ou ficar ali o resto da tarde, se sentia um pouco embebecida com os gritos eufóricos e palmas, por um instante aquelas poucas pessoas pareciam ser um multidão.

Como se alguém lhe estalasse os dedos frente ao seu olhar fixo, acordou de súbito, ainda a estavam olhando, mas os aplausos iam ficando cada vez mais raros... - 'Preciso sair', pensou. Lembrou-se da triangulação: platéia - biombo - biombo - platéia... Então olhou pras pessoas e pro biombo, conforme lhe haviam ensinado, dando uma indicação que estava pra sair. Com passos rasos foi saindo, ainda com a sensação de estar tonta, sumiu atrás da coxia, e num último gesto, colocou a mãozinha pra fora abanando o chapéu, ouviu alguns risinhos, o que lhe deixou bem contente.

Parou pra pensar em tudo que tinha acontecido nos últimos minutos, parecia ter ficado uma hora no picadeiro, mas sabia que não passaram de uns 3 minutos, mal tirou o chapéu o olhou com muito amor e saudade (pois já sentia falta dele na sua cabeça). Com muito mais cuidado tirou o nariz vermelho, como se pudesse quebrá-lo em um gesto estabanado, limpou-o na camiseta branca, e o colocou vagarosamente sobre a cadeira de onde o tirara.

Respirou fundo, as borboletas começavam a ir embora, a emoção do palco continuaria por algum tempo; recolocou a sua máscara original e o seu escudo (que no fundo, não tinha abandonado completamente), e foi-se embora pra casa passando pela multidão como uma pessoa qualquer.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Caminho das Pétalas

Aconteceu no ano de 1873. Como se fosse de uma tela recém pintada, esquecida ao vento num dia de chuva, a rosa branca foi se desconfigurando, pingando no chão sua pétalas em forma de tinta. Estas, por sua vez, caíram azul claro cintilante, quase transparente, fazendo borrões escorridos no cimento frio, que se misturavam ao barro e à enxurrada.

E, por onde passou, deixou um rastro brilhante de beleza e mágoa, um fiapinho de rio cristalizado, intitulado, 15 anos depois, como 'Caminho das Pétalas'. E, até hoje, quem por ali passa pode sentir a essência do perfume da rosa, e uma brisa fria que lhe susurra ao ouvido palavras de amor e solidão.

domingo, 31 de maio de 2009

Cavaleiro andante

E lá vem ele... meu cavaleiro andante.
Com seu escudo num braço e a espada n'outro.
Com seus olhos escuros exalando fogo.
Montado num cavalo negro de crina flamejante.
Bravo feito Dom Quixote lutando contra seus monstros imaginários.

Mas... lá vai ele... meu cavaleiro andante.
Procurar outro moinho.

sábado, 23 de maio de 2009

Encontro.

Hoje tive um encontro maravilhoso!
Fui conversar com Maria Inês, famosa como Vovó Caximbó na região, estou pesquisando o grupo dela (Grupo Teatral Faz de Conta) para o meu trabalho de PIPE II da facul.
Uma conversa tranquila e cheia de descobertas, aprendi um bocado da história do teatro em Uberlândia (que sempre soube muito pouco), e da história dela (uma história de vida linda e emocionante).
Fiquei simplesmente encantada, vi nela tudo o que acredito do Teatro, a paixão, carinho e dedicação dela com o que faz, aquilo de você ter um sonho e acreditar, e fazer com que ele se torne realidade! Correr atrás...
É bom saber que, fora dos muros da faculdade, também há teatro, e de qualidade, e feito com muito amor e carinho!

Como dizia um velho amigo...
VIVA O TEATRO E SEUS ENCONTROS!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

"Quer moleza?

- Senta no pudim!" (Chacrinha)

do Clown, algumas lições de casa:

1- Realizar alguns pequenos desejos.
2- Evitar as famosas mentirinhas.
3- Excluir os 'não'(não posso, não sei, não consigo) do meu vocabulário.

(O melhor é estar desarmado... )
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- Clown, uma transcrissão (não totalmente fiel) do 'dicurso' básico do meu professor (Narciso Telles) na aula do dia 08/05/09:

Senta na cadeira e me faça rir/Faça algo engraçado que me divirta nessa manhã de sexta-feira/ O que você sabe fazer?/ O Bufão é o filho que Deus jogou no mundo e disse: se vira; o Palhaço é o filho que Deus colocou no colo/O Bufão quer da platéia sexo e comida, o Palhaço só quer ser aceito e amado/O Bufão olha a platéia como se todas as pessoas ali fossem sujas, traiçoeiras, preconceituosas, ‘pecadoras’; o Palhaço as olha como se todas fossem bacanas e legais/O processo de criação, criação não, aparecimento do clown é uma luta interna, vou sempre bater de frente com vocês/ Vou seguir pela linha pessimista/ Não farei elogios/ É preciso ter coragem/ Para o espectador o Palhaço é aquele ‘eu’ que ele quer mostrar e não pode/ A máscara não esconde o ator, ao contrário, o revela/ Se não quiser se mostrar não precisa voltar na próxima aula, mas se voltar, venha com coragem e sem medo de se expor/ Não vou facilitar, vou despedaçar, estraçalhar vocês/ É uma questão de se expor ao máximo, quem é o verdadeiro você? Mostre-o/ Aprenda a rir do seu ridículo/ Mostre o que você é sem medo/ O Palhaço só quer ser amado, como se dissesse ao público: eu sou assim, você pode me amar do jeito que eu sou?/ Quanto mais séria, melhor a palhaçada/ O figurino também pode revelar você/ Quando eu estiver nessa cadeira, mando. E vocês, me obedecem./ O clown quer ser aceito, o que a platéia pedir ele vai fazer, mesmo que não o saiba, ele fará do seu jeito, quer agradar o público/Nunca digam aqui: eu não sei, eu não quero, eu não faço/ O Palhaço deve ser exercitado, põe o nariz e vai pra Tubal Vilela pesquisar, experimentar; é um longo processo até ele se estabelecer/ O clown é você!/

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Plim ploc.

Ploc
Plim..ploc
Plim........ploc
Plim...........ploc
Plim............ploc
Plim.........ploc
Plim..ploc

Ai delícia, hoje vou dormir com o barulhinho da chuva!

Imaginem

.

"Imaginem todos vocês
Se o mundo inteiro vivesse em paz.
A natureza talvez
Não fosse destruída jamais.

Russo, cowboy e chinês
Num só país sem fronteiras.
Armas de fogo, seria tão bom,
Se fossem feitas de isopor.
E aqueles mísseis de mil megatons
Fossem bombons de licor.

Flores colorindo a terra
Toda verdejante, sem guerra.
Nem um seria tão rico,
Nem outro tão pobrinho:
Todos num caminho só.

Rios e mares limpinhos,
Com peixes, baleias, golfinhos.
Faríamos as usinas nucleares
Virarem pão-de-ló.

Imaginem todos vocês
Um mundo bom que um beatle sonhou.
Peçam a quem fala Inglês
Versão da canção que John Lenon cantou. "

Toquinho

domingo, 3 de maio de 2009

Perda de tempo.


"Meu rei,
minha senhora,
especular o que é majestade,
o que é dever,
Por que o dia é dia,
a noite, noite,
E o tempo, tempo,
É perder noite e dia,
E tempo."

(Hamlet, p.82 - fala de Polônio)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Florela


A menina

Escondia um perfume
Escondia um amor
Escondia uma verdade
(que ainda nem sabia se verdade mesmo era)

Escondida se encontrava
Mas assim que foi achada

Seu cheiro de novo exalou
Seu amor se despertou
Sua verdade descobriu

Agora não mais sozinha
Lá vai caminhando Florela

Perfumando
Amando
E descobrindo!


A corajosa criança não tem medo
de, no caminho, perder algumas pétalas...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Canção de Papelão

(Quem sabe, entende!)
.


"Por viver muitos anos
dentro do mato
Moda ave
O menino pegou
um olhar de pássaro -
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava
as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam.
As coisas todas inominadas.
Água não era ainda a palavra água.
Pedra não era ainda a palavra pedra.
E tal.
As palavras eram livres de gramáticas e
Podiam ficar em qualquer posição.
Por forma que o menino podia inaugurar.
Podia dar as pedras costumes de flor.
Podia dar ao canto formato de sol.
E, se quisesse caber em uma abelha,
era só abrir a palavra abelha
e entrar dentro dela.
Como se fosse infância da língua."




Poema: "Canção do Ver" de Manoel Barros
Foto: "Pássaro de Papelão" de Alfredo Volpi

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Expressão Corporal 16/04

Hoje eu descobri que...

... a música me atrapalha, (o ritmo sempre me tira o foco!),
e que a tal da báscula é muito mais complicada do que imaginava.

... a projeção da minha perna pra cima é um fracasso,
embora eu ainda acredite que vou encostar no céu.

... a idéia de densidade me ajuda a definir os meus movimentos.
(é só me colocar numa areia movediça.. e 'meus problemas se acabaram!')

... o movimento da minha escápula fica mais perceptível quando meus ísquios apontam pra baixo
e também que o meu sacro pode parecer um bebê numa gangorra. (ele faz esse movimento! Sinistro né?!)

... que o meu quadrilátero (sim, eu tenho um e vc também!) desalinhado só dá dor de cabeça,
mas que eu posso dobrá-lo, esticá-lo e torcê-lo o quanto quiser.

... que para se ter um bom resultado no final das aulas
não é preciso necessariamente fazer uma boa viagem.

Hoje eu resolvi tirar um raio-x do meu cóccix!


- Quem sabe, entende!

Um desconhecido

Uma escada,
uma luz que cobria os primeiros degraus,
e uma escuridão que seguia pelos outros.

Um cheiro de curiosidade no ar,
uma tentação maior que a força e que o bom senso,
e uma coragem vinda de não sei onde.

Um longo corredor escuro e abafado,
um pedestal que quase derrubei no caminho,
e um mistério no ar.

Um passo de cada vez,
um vacilo e uma quase desistência,
uma vontade maior que o medo.

Um salão enorme,
um escuro, um vazio, um frio cortante,
e um coração a mil.

Uma liberdade contida,
um outro pedestal, uns objetos em cima,
uma vela e um fósforo.

Um suspiro de adrenalina,
uma luz e...

TRABALHEM AGORA COM O CONTRÁRIO DO QUE ESTAVAM PENSANDO!

Droga. (pensei)
Não deu tempo de ver o que tinha lá!
(pausa pra pensar)


Um passo firme,
uma praça pública
e um rumo definido...

Lá vou eu de novo...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Grito


((Porque chega uma hora que a gente explode.))

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Bailarina


Bailarina
sem porta-jóia,
sem porta-caneta,
sem porta-papel.
Sem sapatilha,
sem saia rodada,
sem coque e sem mel!

Bailarina
sem Soldado-de-Chumbo...


..."só a Bailarina que não tem!"