terça-feira, 23 de março de 2010

por dentro das reticências...


Eu gosto dos risos contidos, exprimidos e retidos, que no fim (...) não conseguem se conter. Gosto do olhar, do canto dos olhos, desviado, disfarçado, fugido, que no fim (...) não consegue se esconder. Eu gosto das mãos esbarradas, tímidas, risonhas e trôpegas, que no fim (...) não conseguem se mover. De tudo isso. O que eu mais gosto. São os encontros e desencontros que no fim (...) vão se resolver.

(...no fim da linha, do fio,
da lembrança.
Do pensamento.
No fim das reticências,
por DENTRO das reticências,
parênteses precários,
tudo pode acontecer...!
E é por isso que planto as
sementes.
Espero as flores do mês de abril...
a temporada!
Chuva de cores e laços,
de fita amarelo-azul.
Um viva ao Rei-vento, o Poeta-trovão!
E a todos vocês,
queridos passageiros,
minhas caras boas vindas,
À estação reformada de Vênus.
Boa viagem;
apertem os cintos;
sigam as cadências febris;
aqui fala, da estação-mor, a Maquinista do tempo
tempo-espaço aqui-agora
onde Reina o meu Príncipe-Poeta...)


sexta-feira, 19 de março de 2010

Revirando tralhas...

... descartando os cacos. Desgarrando do que passou. Arrumando as pétalas vivas. Revirando as gavetas. Limpando o espelho quebrado. Meu baú de memórias. Contando estrelas da noite passada. Retomando o caminho perdido. Recuperando a essência do nome. Regando as plantas. Refazendo as malas. Preparando o coração. Cultivando... amor! Gerundiando o agora. ("Agora? Já passou...") O que está por vir... mas não quero pensar, não penso! Deixo ao meu Poeta preferido... que escreva o que lhe convir! Eu só sigo as Tuas letras...



"Sim, eu acredito na força do TEATRO! Sim, eu acredito na força da ARTE! Sim, eu acredito na força da POESIA! Eu acredito, sonho, crio e recrio. Eu vôo, pulo, salto e me atiro. Jogo, apelo, não brigo e engulo. Respiro, esqueço e faço tudo de novo. E de novo... E de novo... E DE NOVO! Estou saindo do meu canto de conforto, e indo pra zona de risco. Talvez esteja no fundo do po....

...talvez seja só o início!"



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A foto e o texto (de baixo) compuseram um trabalho
que fiz na facul, em 2009, onde eu 'falava' da minha trajetória Teatral.

segunda-feira, 15 de março de 2010

'As era do universo passa, e o hômi que ama fica'

Um trechinho da mini-série 'Hoje é dia de Maria', onde o palhaço/poeta Quirino, de uma trupe de saltimbancos na qual Maria se juntou, declama um poema...


"E há de permanecer a fé, a esperança e o amor.
Porém dos três, o maior destes é o amor!" (I Co 13:13)


Só isso. Tudo isso. Reburbulha. Me preenche!

quarta-feira, 10 de março de 2010

conforme as Imagens*


E a paisagem descia macia, da ponta dos meus dedos trêmulos à folha de papel recém-cortada da raiz-árvore-mãe. E a cada movimento de lábios, e piscar de olhos, novas montanhas, flores e pássaros surgiam na letra desenhada em folha de seda verde-azul. Girassóis cata-ventos de cêra, e beija-flores de giz. No tempo espaço aqui-agora, e nada mais que água e ar. Nada além de terra e céu. Nada mais forte que as mãos dadas e a melodia fina da flauta-lisa - que acabei de inventar. Tudo isso pra quê? Por quê? E como?

Pra que eu respirasse. Porque a vida florescia. Como eu sonhava.
E eu não queria ficar pra trás. Não poderia.

*

sábado, 6 de março de 2010

da Estante para a Vida (real?)


A face que encoberta a face,
que dá outra vida,
outro corpo, outra alma,
outros olhos...

O jeito que transforma os jeitos,
modifica as vozes,
os 'tiques', os passos,
as solidões...

A pele que adere a máscara,
que encoberta a face,
que transforma os jeitos,
que dá vida a novos seres.

Pensantes. Pensáveis. Pensadores...
Bonecos pulsantes caminhando
alados, em meio a carros, cores, gestos,
Cenas. Coxias. Cortinas. Atos.

Flutuando... Amando... Atuando...
Em Meio a Vida. Em Meio de Vida. Em Vida sem Meio.


(Decorando rostos, criando vida...)


(Na foto acima, meu primeiro trabalho com Máscaras e gesso, mais fotitas e detalhes no meu outro blog onde exponho meus 'trabalhos': www.atelie-bailarina.blogspot.com)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Cortina de retalhos.


Quero uma escada. Mas não uma qualquer, quero uma escada grande... BEM grande. Gigante, eu diria. E mágica, pra que passe pela minha janela. Que me leve até a Lua. Mas não essa Lua sem graça dos jornais, cinza, esburacada, sem-vida... Quero chegar à MINHA lua, a Lua que aprendi, que sonhei, admirei, que chorei, que foi minha Rainha-confidente-fiel. A Lua dos coelhinhos. A Lua amarela brilhante com formato de queijo, que vez ou outra pisca sorridente pra mim, que guarda segredos, exala mistério, inspira os amores febris. E, chegando lá, na minha Lua, não vou precisar de aparelhos, roupas estranhas, oxigênio ou comida artificial. Só uma rede de caçar-borboletas, que é pra eu pegar minha estrela-cadente. O que eu pediria? Bem, só que remendasse meus retalhos...


... e minha vida!

terça-feira, 2 de março de 2010

[In]quieta.


E se... de repente,

O meu quarto virasse de ponta cabeça?
O mundo resolvesse girar pro outro lado?
A lei da gravidade começasse a nos expulsar da Terra?
E a inércia nos cortasse violentamente o movimento?

E se... de repente,

O corpo em repouso se libertasse em gestos fortes?
A velocidade média se calculasse sem a medida do tempo?
Murphy aconselhasse as pessoas a serem otimistas?
As lâmpadas soltassem o escuro pra abafar o brilho da noite?

E se... de repente,

Não existisse tpm, cólicas mentruais ou dores de parto?
Os homens não pensassem nas curvas femininas?
O número PI fosse exatamente 4.0?
Eu tivesse o poder de acabar com todas as leis da física?

E se... de repente,

Tudo isso já não tivesse acontecido?
E a minha escrita não passasse de borracha?
E minhas letras de sabão em pó barato?
Então meu desafeto (des)ilusório, em amor se converteria?

E se... de repente,

Todos olhassem e vissem através de mim?
E só importasse o meu coração? [...]
E as aparências fossem detalhes genéticos desapercebidos?
E então a moda seria o silêncio e a meditação?

E se... de repente [...]

Você quisesse mesmo resolver a equação gramatical de Vênus?
Bem, nesse caso, e só nesse... eu abriria uma concessão,
E cederia à ordem natural das coisas.
Voltaria ao tempo em que nada era cadente.

Até lá, melhor dormir...
Boa noite!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

(in)Explicando o sumiço... e o Acaso.



Dos Acasos Acasionados pelo tempo-Rei.

É incrível.
Simplesmente... a vida.
As voltas e rasteiras que ela
insiste em me dar.
A cada tosco dia.
Comum, falho.
O Acaso mais uma vez me
abre os olhos, e me
(cospe) joga na cara.
Abarrotada,
de sentimentos confusos.
Que Ele está no controle de tudo.
Não eu.
Com a minha pequenez.
Ele dita,
quando caem as folhas, e levantam os pássaros.
As estrelas cadentes, pérolas de ouro.
E eu só fico minúscula, pedra
branca, concha vazia, a
procurá-las na noite sem céu...
O Acaso me esfrega na 'fuça'
que o Seu tempo
não é o meu.
E que chorando, não vou conseguir nada
na MINHA hora.
Eu sou nada, sou vagão, sou pó.
Flor dente-de-leão,
levada pelo vento-Acaso.
Acaso-trovão.
O Acaso ri, gargalha, tira sarro da minhas
mimadices. E mesquinharias.
A isso, tudo isso, que chamam Acaso,
eu nomeio
Rei-Tempo, Acaso-Deus.
E nesse caso, TUDO, e não 'nada' é por Acaso...
como dizem infames por aí.
Porque só Ele sabe as curvas que o trem vai dar.
Sem saída, me abandono agora, ao
vento-trovão-Acaso.
Ruflo as asas ('de par em par')...
... e que os anjos-Acasos me levem, ao infinito.
Cadente.


(Amém)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sobre as Noites dos Mascarados


Porque agora, tudo, absolutamente
tudo está dentro da lei.
Não há faroestes. Regras. Ou pecados.
Só um caos.
'Levemente organizado' e temporariamente permitido.
Uma tomatina libidinosa, quem sabe.
Sempre fugi de tudo isso.
Medo de me contaminar, talvez, com essa liberdade
quase (senão) insana, desprovida de paixão
(ou sofrendo de excesso da mesma).
Penso em algumas décadas atrás,
Os Pierrots, as Colombinas e os... Arl.. deixa!
(por agora estou farta de Arlequins)
Talvez fosse melhor.
É que hoje,
vejo a Magia vulgarizada.
O brilho apagado, e o mistério desnudo.
Talvez me linchem por pensar assim, mas é o que sinto..
sinto falta de amor por detrás dos gestos,
afeto.
Quero dizer
que não sirvo para as butecadas, não sirvo para o instante.
Nem pra essas paixões loucas e 'abertas'.
(não sirvo pra ser amante)
E talvez, também não sirva para os carnavais.
Só sinto uma leve/estranha saudade, dos tempos
antigos... do baile de Romeu e Julieta.
Da ânsia de descobrir o que há por trás das máscaras,
das roupas, das fuligens, dos confetes...
de amar
pela frestinha de olho que se vê.
E aí sim, me apaixonaria perdidamente por esses dias...
loucamente!
Trago à tona meu romantismo bobo, rebuscado... disfarçado
de baixa auto-confiança, firmeza travada.
Me entrego. Me revelo. Sempre mais.
Deixo transparecer a menina dos meus olhos.
É que no fundo. No fundinho. Eu amo. Eu choro. E eu me apaixono, sim.
Eu sofro pelos carnavais.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

da vontade de fugir com o circo.



É inveja da Mariazinha, é vontade de andarilhar, é saudade do desconhecido, é sentir o outro vibrar, é querer trazer sorrisos, é cada dia se apaixonar, é vida de Dom sem Xote, é o impulso de dançar, é voar por entre as cordas, é num dedo se equilibrar, é vida de gente sem vida, que vive pra se doar, é fazer as malas e ir embora, é dizer adeus e depois voltar, é o pulso que vem do fundo, é o brilho que o olho dá, é um amor em cada porto, uma criança em cada lugar.

É o que dá corda ao meu porta-jóia de bailarina. Eu preciso de cor.