segunda-feira, 15 de março de 2010

'As era do universo passa, e o hômi que ama fica'

Um trechinho da mini-série 'Hoje é dia de Maria', onde o palhaço/poeta Quirino, de uma trupe de saltimbancos na qual Maria se juntou, declama um poema...


"E há de permanecer a fé, a esperança e o amor.
Porém dos três, o maior destes é o amor!" (I Co 13:13)


Só isso. Tudo isso. Reburbulha. Me preenche!

quarta-feira, 10 de março de 2010

conforme as Imagens*


E a paisagem descia macia, da ponta dos meus dedos trêmulos à folha de papel recém-cortada da raiz-árvore-mãe. E a cada movimento de lábios, e piscar de olhos, novas montanhas, flores e pássaros surgiam na letra desenhada em folha de seda verde-azul. Girassóis cata-ventos de cêra, e beija-flores de giz. No tempo espaço aqui-agora, e nada mais que água e ar. Nada além de terra e céu. Nada mais forte que as mãos dadas e a melodia fina da flauta-lisa - que acabei de inventar. Tudo isso pra quê? Por quê? E como?

Pra que eu respirasse. Porque a vida florescia. Como eu sonhava.
E eu não queria ficar pra trás. Não poderia.

*

sábado, 6 de março de 2010

da Estante para a Vida (real?)


A face que encoberta a face,
que dá outra vida,
outro corpo, outra alma,
outros olhos...

O jeito que transforma os jeitos,
modifica as vozes,
os 'tiques', os passos,
as solidões...

A pele que adere a máscara,
que encoberta a face,
que transforma os jeitos,
que dá vida a novos seres.

Pensantes. Pensáveis. Pensadores...
Bonecos pulsantes caminhando
alados, em meio a carros, cores, gestos,
Cenas. Coxias. Cortinas. Atos.

Flutuando... Amando... Atuando...
Em Meio a Vida. Em Meio de Vida. Em Vida sem Meio.


(Decorando rostos, criando vida...)


(Na foto acima, meu primeiro trabalho com Máscaras e gesso, mais fotitas e detalhes no meu outro blog onde exponho meus 'trabalhos': www.atelie-bailarina.blogspot.com)

quinta-feira, 4 de março de 2010

Cortina de retalhos.


Quero uma escada. Mas não uma qualquer, quero uma escada grande... BEM grande. Gigante, eu diria. E mágica, pra que passe pela minha janela. Que me leve até a Lua. Mas não essa Lua sem graça dos jornais, cinza, esburacada, sem-vida... Quero chegar à MINHA lua, a Lua que aprendi, que sonhei, admirei, que chorei, que foi minha Rainha-confidente-fiel. A Lua dos coelhinhos. A Lua amarela brilhante com formato de queijo, que vez ou outra pisca sorridente pra mim, que guarda segredos, exala mistério, inspira os amores febris. E, chegando lá, na minha Lua, não vou precisar de aparelhos, roupas estranhas, oxigênio ou comida artificial. Só uma rede de caçar-borboletas, que é pra eu pegar minha estrela-cadente. O que eu pediria? Bem, só que remendasse meus retalhos...


... e minha vida!

terça-feira, 2 de março de 2010

[In]quieta.


E se... de repente,

O meu quarto virasse de ponta cabeça?
O mundo resolvesse girar pro outro lado?
A lei da gravidade começasse a nos expulsar da Terra?
E a inércia nos cortasse violentamente o movimento?

E se... de repente,

O corpo em repouso se libertasse em gestos fortes?
A velocidade média se calculasse sem a medida do tempo?
Murphy aconselhasse as pessoas a serem otimistas?
As lâmpadas soltassem o escuro pra abafar o brilho da noite?

E se... de repente,

Não existisse tpm, cólicas mentruais ou dores de parto?
Os homens não pensassem nas curvas femininas?
O número PI fosse exatamente 4.0?
Eu tivesse o poder de acabar com todas as leis da física?

E se... de repente,

Tudo isso já não tivesse acontecido?
E a minha escrita não passasse de borracha?
E minhas letras de sabão em pó barato?
Então meu desafeto (des)ilusório, em amor se converteria?

E se... de repente,

Todos olhassem e vissem através de mim?
E só importasse o meu coração? [...]
E as aparências fossem detalhes genéticos desapercebidos?
E então a moda seria o silêncio e a meditação?

E se... de repente [...]

Você quisesse mesmo resolver a equação gramatical de Vênus?
Bem, nesse caso, e só nesse... eu abriria uma concessão,
E cederia à ordem natural das coisas.
Voltaria ao tempo em que nada era cadente.

Até lá, melhor dormir...
Boa noite!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

(in)Explicando o sumiço... e o Acaso.



Dos Acasos Acasionados pelo tempo-Rei.

É incrível.
Simplesmente... a vida.
As voltas e rasteiras que ela
insiste em me dar.
A cada tosco dia.
Comum, falho.
O Acaso mais uma vez me
abre os olhos, e me
(cospe) joga na cara.
Abarrotada,
de sentimentos confusos.
Que Ele está no controle de tudo.
Não eu.
Com a minha pequenez.
Ele dita,
quando caem as folhas, e levantam os pássaros.
As estrelas cadentes, pérolas de ouro.
E eu só fico minúscula, pedra
branca, concha vazia, a
procurá-las na noite sem céu...
O Acaso me esfrega na 'fuça'
que o Seu tempo
não é o meu.
E que chorando, não vou conseguir nada
na MINHA hora.
Eu sou nada, sou vagão, sou pó.
Flor dente-de-leão,
levada pelo vento-Acaso.
Acaso-trovão.
O Acaso ri, gargalha, tira sarro da minhas
mimadices. E mesquinharias.
A isso, tudo isso, que chamam Acaso,
eu nomeio
Rei-Tempo, Acaso-Deus.
E nesse caso, TUDO, e não 'nada' é por Acaso...
como dizem infames por aí.
Porque só Ele sabe as curvas que o trem vai dar.
Sem saída, me abandono agora, ao
vento-trovão-Acaso.
Ruflo as asas ('de par em par')...
... e que os anjos-Acasos me levem, ao infinito.
Cadente.


(Amém)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Sobre as Noites dos Mascarados


Porque agora, tudo, absolutamente
tudo está dentro da lei.
Não há faroestes. Regras. Ou pecados.
Só um caos.
'Levemente organizado' e temporariamente permitido.
Uma tomatina libidinosa, quem sabe.
Sempre fugi de tudo isso.
Medo de me contaminar, talvez, com essa liberdade
quase (senão) insana, desprovida de paixão
(ou sofrendo de excesso da mesma).
Penso em algumas décadas atrás,
Os Pierrots, as Colombinas e os... Arl.. deixa!
(por agora estou farta de Arlequins)
Talvez fosse melhor.
É que hoje,
vejo a Magia vulgarizada.
O brilho apagado, e o mistério desnudo.
Talvez me linchem por pensar assim, mas é o que sinto..
sinto falta de amor por detrás dos gestos,
afeto.
Quero dizer
que não sirvo para as butecadas, não sirvo para o instante.
Nem pra essas paixões loucas e 'abertas'.
(não sirvo pra ser amante)
E talvez, também não sirva para os carnavais.
Só sinto uma leve/estranha saudade, dos tempos
antigos... do baile de Romeu e Julieta.
Da ânsia de descobrir o que há por trás das máscaras,
das roupas, das fuligens, dos confetes...
de amar
pela frestinha de olho que se vê.
E aí sim, me apaixonaria perdidamente por esses dias...
loucamente!
Trago à tona meu romantismo bobo, rebuscado... disfarçado
de baixa auto-confiança, firmeza travada.
Me entrego. Me revelo. Sempre mais.
Deixo transparecer a menina dos meus olhos.
É que no fundo. No fundinho. Eu amo. Eu choro. E eu me apaixono, sim.
Eu sofro pelos carnavais.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

da vontade de fugir com o circo.



É inveja da Mariazinha, é vontade de andarilhar, é saudade do desconhecido, é sentir o outro vibrar, é querer trazer sorrisos, é cada dia se apaixonar, é vida de Dom sem Xote, é o impulso de dançar, é voar por entre as cordas, é num dedo se equilibrar, é vida de gente sem vida, que vive pra se doar, é fazer as malas e ir embora, é dizer adeus e depois voltar, é o pulso que vem do fundo, é o brilho que o olho dá, é um amor em cada porto, uma criança em cada lugar.

É o que dá corda ao meu porta-jóia de bailarina. Eu preciso de cor.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Inteligência Artificial




A terra chama, grita, reclama, implora.
Treme.
E enquanto as casas não caem,
seu eco fala sozinho. Ao vento... cada dia mais forte.
A bandeira branca está suja de pólvora,
e cheira a cigarro.
Isso me lembra Hiroshima,
não a dos jornais, mas dos livros... a de Sadako.
Culpado? Homem.
Espécie teoricamente mais inteligente e desenvolvida
do Planeta.
Não é diferente agora,
só que essa guerra é ainda mais injusta. covarde.
O inimigo deveria ser aliado,
e não tem uma bruta força armada pra se defender.
Só vida.
Mas tudo bem, está tudo normal.
Não faça nada.
Ou melhor, faça... faça suas doações,
escreva mensagens de amor na sua home page,
de solidariedade talvez.
Para com aqueles que perderam
tudo,
mais que tudo,
perderam seus filhos.
E quem sabe assim a consciência pese menos?
E você possa dormir em paz?
Afinal, foram centenas de pessoas.
Mas não você. Não eu.
Consolo? Abrigo? Alimento?
Não pense que sou contra auxílio e doação. Caridade.
Só quero te abrir os olhos, pra que veja
que o que está feito,
está feito!
Mas talvez, sendo bem esperançosa, a gente pode
prevenir alguma outra bomba.
Apaziguar esse embate.
Ou não.
(o que é infelizmente mais provável...)
Mas é que Eu preciso me sentir parte. ser Humana.
só pra variar.
Se as raízes tem sede, as crianças morrem. de fome.
Todo santo dia. (e nos dias pagãos também)
Isso não para.
Nesse exato momento, elas choram abrigo. proteção. colo.
leite. pai.
Não falo de conspirações
ou de 2012.
Falo do efeito borboleta. Da terceira lei de Newton.
Do mandamento. Do reflexo. Do livre arbítrio.
Hoje, é tarde demais pra Hiroshima, é tarde pro Haiti...
E amanhã.
Pode ser tarde demais pra mim. Pros MEUS filhos.
Falo disso.
E isso. É só o começo!



"É sempre a morte que refresca a memória,
no final só nos restam lágrimas vãs" (Lição - Oficina G3)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Grito II - poematizado


Porque chega uma hora que precisamos,
depois de tudo engolir,
vomitar;
depois de tanto pensar,
decidir;
depois de tanto iludir,
realizar.
Eu só tenho medo e saudade.
E uma vontade louca de gritar tudo o que senti...
sinto.
Sentirei... medos... dúvidas...
... Traiçoeiras (feras)
Soltas por ai.
Por ali.
Por debaixo da cama.
Enroladas nos lençóis baratos, encardidos.
E por aqui, eu deixo meu grito
mudo,
nessas linhas sínicas que insistem
em desafiar o meu verbo
rasgado,
o meu pulso ferido,
e minha metade-cara desbotada,
preto-e-branca.
Olhando pro espelho em cacos.
E a mão em carne-viva.
Marcas, reflexos... de antes, agora.
Antes, agora...
... e depois?
Depois é ilusão. Só existe quando é.
Eu existo.
Eu sou.
Pó.
Flutuando no vento... insignificantemente.
Transitando
minha pequena e idiota massa corporal.
Alheia
no universo.
Diminuo minha quinesfera...
(só pra falar bem e explicar a imagem)
Preciso de água,
rima,
bom humor,
uma barra de chocolate,
e uma droga de remédio pra dor de cabeça.
Preciso de alguém,
que me diga o que fazer,
em quê crer.
Quê COM acento, independente da reforma.
que se dane a nova gramática.
Porque essa reforma é a
minha.
Trato aqui da MINHA construção
demolida. falida. descascada. pixada. pintada
de cinza.¹
E no reboco uma fagulha do que foi.
Fé?
Amor?
Esperança?
Onde estás, velho Poeta? Onde estão as minhas asas?
Preciso cada vez mais de ti!
Agora, alguém?
Um copo d'água - com açúcar - por favor!


¹"E só ficou no muro tristeza e tinta fresca."