sábado, 7 de novembro de 2009

"as pessoas não podem viver apenas de canções de amor"


"Havia um menino, um estranho e encantador menino...
Diziam que ele vinha de muito longe,
além da terra e do mar.
Era um pouco tímido, de olhos tristes...
Mas era muito sábio.
E então, num mágico dia, ele cruzou o meu caminho,
e enquanto nós falávamos de tolos e reis,
ele me disse:
'A coisa mais importante que se pode aprender é
a amar, e em troca ser amado!' "

(Nature Boy - Moulin Rouge)


..."o show deve continuar!"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Um pouquinho de tudo.



Um pouco da rua, do beco, da esquina
Da parte que passa e ninguém vê
Um pouco da praça, do chão, da surdina
Das linhas que escrevo e ele não lê
Um pouco do que vejo, escrevo e pinto
Da vista da lua da minha janela
Um pouco do inteiro de tudo o que sinto
Dessa menina boba de fita amarela

(E só pra fechar, um pouquinho da primavera em fim de tarde.)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Asas de borboleta


Agora ela tem certeza. Ela vê. Está claro e óbvio, como, na verdade, sempre fora. A questão não eram os pássaros, nem os vagalumes, nem os leões ou cavalos-marinhos. O problema são suas asas (elas que não conseguem se aquietar por nada, nem ficar tempo demais pousada na mesma rosa branca). Sua alma de borboleta anseia por explorar cada vez mais novos jardins floridos. Por pousar em todas as flores. Por conhecer o desconhecido e buscar o inalcançável. O problema é sua insaciável sede de mudança. Sua incapacidade de ser só uma borboleta, quando poderia ser várias de uma só vez. Porque no fundo, bem no fundinho mesmo, ela acredita na beleza dos amores impossíveis e inconcretizados (mesmo não existindo essa palavra). Ela gosta da magia da primeira troca de olhares, a energia dos primeiros sorrisos, a inocência dos primeiros beijos. Prefere mesmo viver de sonhos, do que vê-los todos a desmoronar.

Talvez o amigo do amigo do seu novo amigo tenha razão. Talvez o melhor seja se apaixonar a cada semana. Se apaixonar pelos detalhes, pelo brilho que ninguém vê. Pelo néctar de cada flor. Pela asa de cada borboleta. E viver essa paixão sozinha, intensamente, sem correr o risco que ela dure mais ou menos do que precisa durar, que ela se desgaste. Pra que ela comece e termine sem perder a cor.



Dizem por aí que elas, as borboletas, só vivem 24 horas...

sábado, 24 de outubro de 2009

IP-IP-URRA's

('os pobres amigos músicos' - pra ninguém se sentir rejeitado. rs)


O cansaço e exaustão revigoram a alma, recobrem as forças, liberam um último fio de energia - forte, indestrutível, presente. Um desabafo condensado e altivo, canalizado à um último suspiro: a arte. Arte de esconder a verdade, de poder ser o que não é, ou o que é, mas não acredita ser, de ser feliz e se entregar por um instante, se doar, se ridicularizar, se permitir SER, simplesmente... Uma última gota de suor. Um último 'IP-IP-URRA' antes de começar o espetáculo.

Essa semana apresentamos 3 vezes a 'Mariazinha', espetáculo criado de última hora para a inauguração do livro 'Histórias da Roça', organizado pela minha professora Dani, o livro reúne histórias e causos contados pelos próprios moradores da roça, pelo povo. Com essa experiência vieram muitas coisas realmente boas pra mim. (Resolvi ser audaciosa). A estréia foi no sábado passado (17/10), onde tivemos como palco uma Escola na Roça. A segunda apresentação foi na quinta (22/10) na UFU, frente ao nosso bloco, dentro da programação da Semana do Mestrado. E por fim, hoje, ou melhor, ontem (24/10), apresentamos na Escola Viva, para alunos (de 1 a 7 anos), pais e professores.

É interessante reparar na reação de cada platéia, como isso alterou na hora da apresentação, pelo menos o meu resultado, meu movimento interno, minha ação interior, como diria o bom e velho morto Stanislavski. A simplicidade do primeiro público, o olhar crítico do segundo, e os sorrisos do terceiro. Cada qual com suas vantagens e desvantagens. Com seus prós e contras.

Mas o que vale mesmo, é a força e a coragem, a magia do Teatro de Rua, o 'téti a téti', olho no olho. O jogo com cada platéia. A platéia com cada jogo. O brilho dos olhos. A cumplicidade conquistada. Os erros disfarçados. É o: 'foi o dia mais feliz da minha vida!'. O aprendizado. A vontade de gritar pro mundo.. que o teatro veio do povo, e para o povo. E só.

Como disse um velho amigo, quando me apaixonei pelo teatro:

'VIVA O TEATRO E SEUS ENCONTROS ( ! )'


Ps.: Fotos da apresentação na roça.

domingo, 18 de outubro de 2009

Histórias da vida


Dessa semana eu tiro o cansaço, a exaustão, o sono mal dormido, a sensação de impotência e de descaso. Eu tiro a dor de não ter dado certo, eu tiro o 'monstro'. Eu tiro as lágrimas, o clima tenso, a cabeça baixa para saber ouvir - sem gritar de volta o que pensava. Tiro a insegurança, o medo da perda; tiro uma vida que poderia ter sido - mas não foi. Tiro meus filhos. Mas também tiro o sorriso das crianças, a coragem de ter sido sincera, eu tiro o alívio do desabafo, a alegria de um trabalho começado e a maravilhosa sensação de dever cumprido, eu tiro o peso que estava na consciência, e tiro o brilho dos olhos dos humildes. Tiro a energia e os aplausos da platéia. Eu tiro o recomeço - o passado agora. O que antes era e nunca deixou de ser. Eu tiro a cara, tiro a alma, mostro a cara, e me dôo pra vocês - e pro Teatro!

Essa semana eu renasço - como a fênix - das cinzas.
Eu ressuscito os cavalos-marinhos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

'Não solta da minha mão'.


Você já parou pra pensar quantas vezes e com quais finalidades você usa sua mão no dia-a-dia?

As mãos carregam as marcas de toda a vida, talvez mais que qualquer outra parte do corpo, as marcas do trabalho, das lutas, das vitórias, das derrotas, do rádio que você puxou pela tomada (desobedecendo sua mãe) e caiu em cima do dedo - essa vai pra minha irmã. As mãos brigam e reatam. Ofendem e acariciam. Condenam e se redimem. Intercedem e julgam. Confidenciam e revelam. Escondem risos, enxugam lágrimas, escrevem segredos. As mãos falam, por si só, deixam mensagens escondidas nos gestos, que poucos vão perceber. As mãos fazem. Agem.

'Um gesto vale mais que mil palavras', se ainda for com as mãos...

Ps.: enquanto ele lia

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Bonecos-de-areia

Com as minhas sinceras desculpas pelo comentário no post do dia 15 de julho (Tédio); quando disse que minha irmã não quis me fazer um boneco de neve. Dona Marilinha Maricota voltou nesse sábado pra França, e não é inverno, logo não vou mesmo ganhar meu boneco de neve, mas ganhei uns bonequinhos de areia internamente lindos! hauahuahua

Obrigada maninha e obrigada cunhadinho (que também teve sua participação especial)!


Maricotinha, tudibom pra você aí!
Que Deus te ilumine e guarde e mande muitos anjinhos pra conversar com você em português. hehe


Te amo!
Beijocas com sodade!

domingo, 6 de setembro de 2009

Sim, eu sonho.

Ar puro. João-de-barro na laranjeira. Pantufas de coelhinho. Casa amarela de campo. Varanda aberta. Rede laranja. Fim de tarde. Balanço de pneu. Tempo nublado. Farfalhar das árvores. Rio cheio cristalino. Cobertores no sofá. Vento gelado. Plantação de girassóis. Chocolate quente. Abraço apertado. Barulho de chuva.

Queria os dias todos assim... cor-de-rosa e cinzentos. Com cheiro de carinho e gosto de quero-mais.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Máscara II


"Aprendendo a receber aplausos e amor"
(JuuMaltos)

Eis a menor máscara de todas, a que menos esconde,
e que mais revela.

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Máscara I (postagem do dia 14/06/2009)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Joaninha

Macacão de palhaça, diabolô num ombro (como carregam aqueles pedaços de pau com uma trouxa amarrada na ponta), um martelo gigante no outro. Um fusca miniatura na mão direita. Ia andando a pé, acompanhada por 2 amigos, 1 prima e o companheiro de vida. - 'Para onde vamos mesmo?', - 'Pro shopping, comer alguma coisa' (responde um dos acompanhantes). - 'Ah sim'... O caminho parecia ter triplicado de tamanho. - 'Não faz sentido irmos à pé, estou com o fusca, e agora já tenho carta de motorista'. No momento que pronuncia essas palavras um olhar geral pro fusca na mão da moça, formação de roda, ela estica a mão com o fusquinha em um lugar estratégico (no meio da roda) pra que todos pudessem vê-lo. Clima tenso no ar, alguns pareciam com medo do carrinho, e outros com medo da motorista. Até que uma voz quebra o gelo: - 'Não vai caber todo mundo aí dentro, é muito pequeno'. Uma concordância geral com o comentário, e a moça retruca: - 'Tudo bem, só precisamos passar num posto ou borracharia pra enchermos ele'. Um posto à uns dois quarteirões de distância, todos se encaminham para lá, chegando a moça fala ao atendente: - 'Como faço para aumentar o fusca?', estende a mão com o mini-carrinho mostrando ao atendente. Ele pega o fusquinha, vira e revira, até que acha um biquinho e o mostra pra moça: - 'Aqui óh, é só soprar e encher!'. - 'Ahn, ok, obrigada. Viu gente? É só encher'... Vão todos andando enquanto a moça vai soprando o biquinho. Depois de muito esforço e de já estar quase morrendo sem ar, parou, o fusquinha já tinha, aproximadamente, uns 50cm de comprimento. - 'Acho que já está bom!', diz a moça abrindo a bolsa e pegando a chave do Joaninha (nome que dera ao carrinho), abre a portinha e levanta o banco da frente, todos a olham com receio, ela balança a cabeça e comenta animada: - 'Vamos gente, é só entrar'. Todos entram no fusca, incrivelmente espaçoso por dentro. Pegam a avenida principal e... a moça chega ao quarto, sozinha, está deitada na cama, acabando de acordar.