terça-feira, 9 de agosto de 2011

verde musgo.

aguada de saudades
de sorrisos
e conversas
(passada)
hoje acordei
em poça d'água
a menina dos olhos
se agarra aos cabelos
que é pra não
morrer afogada
em meio às correntezas
do mês de julho
(passado)
sentimentos de sabe-se lá
razões, insônia,
dor de cabeça
hipersensibilidade feminina
talvez?
aflorada.
Chuva seca em terra esverdeada
Lama pura
Verde musgo
Olhos rasos d'água
que teimam não cascatear.
(passagem)
Vontade de ficar
quietinha aqui.


- onde estiverem, permanecem aqui todos os meus amores.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

amor moderno.

Horas e horas na janela
debruçada
e trançada
esperando ele passar
Passa João
Passa Margarida
e do amor não passa nada
nada do amor passar.

Fica ela bem quietinha
vem o sono
puxa uma cantiga
e na janela põe-se a cantar
Passa Carlos
Passa Juliana
e do amor não passa nada
nada do amor passar.

Troca de posição, vira a perna
gira o pescoço
cobre a canela
que o sol já vai se pôr
Passa amigo
Passa parentada
e do amor não passa nada
nadica dele na janela do computador.


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Protocolo-Mor (Jogos Teatrais)





E a cabeça é aquele moinho
que vai triturando tudo
que cai dentro
e vão caindo, jogando,
conceitos, chaves, impulsos
emoções, dados,
cartas de tarô.
Vão caindo, não aplicando.
À idéia de aplicar
me vem a imagem daqueles
enfermeiros brucutus
com uma injeção gigante
e um pirulito depois
pra tentar te consolar.
Um mísero pirulito
que ainda faz mal à saúde.
É.
Não gosto de aplicações.
De volta ao moinho,
um rebuliço, tornado de idéias
e sensações, e memórias,
de ventos e porquinhos da índia,
dos amores perdidos
no espaço,
levados pelo vento.
E das sementes de amoras plantadas
em vasinho de barro,
regadas diariamente.
É.
Eu gosto do milagre das sementes.
O desafio da entrega
é pra mim o mesmo do amor.
Da renúncia do orgulho e vaidade,
do estado de risco,
em que você se dá inteiramente
pro outro.
Em que você não pensa no ridículo,
aliás, você não pensa. Embora saiba onde está.
Você ama.
Oferece.
Entrega.
A lição do palhaço,
que mesmo sem saber
estende as mãos e diz:
é isso o que eu tenho
pra oferecer ao mundo.
Mundo,
você pode me amar assim?




segunda-feira, 13 de junho de 2011

um recorte de Alma Funda.


Em Alma Funda há tanta chuva guardada pra jorrar.
Tanta que poderia encher o mundo, o universo.. o solar.
O que foi semente, hoje é folhinha,
pequena assim
tal qual um grão,
a gente planta achando que é rosa
e quando vê só vem botão.

Viva a água de cada dia.
Viva a água.
Viva João.

Em Alma Funda há tanta faísca, tanto carvão pra queimar.
Tanto que poderia ser mil vezes sol, vulcão ativo, potência lunar.
O que foi ferro, hoje é armadura,
firme assim
tal qual diamante,
a gente olha achando que é chapéu
e quando vê é elefante.

Viva o fogo de cada dia.
Viva o fogo.
Viva Rocinante.

Em Alma Funda há tanta água, tanto fogo, terra e céu.
Que as coisas todas se confundem se tornando incomparáveis, favo com abelha e mel.
O que foi - foi, o que hoje - é,
simples/complicado assim
tal qual coração de mulher,
a gente olha achando que é lírio
e quando vê é bem/mal-me-quer.

Viva o dia de cada dia.
Viva o dia.
Viva José.


Viva os pés descalços.

sábado, 4 de junho de 2011

c'est la vie!

O rio continua seu curso. Calmaria pós-tempestade. Ela o segue. Com uma quase felicidade serena. Ansiedade controlada. Aprendendo a descansar no leito das águas. Ela o busca. Ela o espera. Respira. Inspira. Força e fé. Tudo lhe parece um filme, assistido pela milhonésima vez. Um passarinho verde lhe susurra ao ouvido 'agora é diferente'. Mas isso lhe soa igual. Ela ora. Ora no céu. Ora no chão. Eles voam até o mais profundo oceano. E mergulham céu adentro. Ela chora baixinho, dizendo... Cuidem de mim. De nós. De todos. Cuidem dos anjos pra que digam amém.

terça-feira, 31 de maio de 2011

sobre o que se pode fazer quando se tem a faca e o queijo na mão.


1. Cortar o queijo e comê-lo.

2. Cortar o queijo. Trabalhar pra conseguir comprar ovos, leite, óleo, polvilho e sal. Colocar o polvilho em tigela grande. À parte aquecer o leite e óleo. Escaldar o polvilho. Esperar que ele esfrie. Acrescentar os ovos. Enrolar bolinhas e colocá-las na assadeira. Levar em forno médio. Esperar que as bolinhas virem lindos e deliciosos pães-de-queijo. Então, comê-los.




Nham nham...
Em espera.


ps.: ao escolher a segunda opção, você terá de sujar as mãos.

domingo, 29 de maio de 2011

pausa pra respirar e soprar velhinhas, ops, digo, velinhas...



Post especial de feliz aniversário pra minha maninha Lilinha que hoje está na França.. Que Deus te abençõe imensamente, que venham muitas outras primaveras - cada qual mais florida - pra você! Você faz muita falta! Te amo demais!!!

sábado, 28 de maio de 2011

por favor, permaneçam calmos, estamos passando por pequenas turbulências.


Escrevo na tentativa de desembaralhar meu pensamento. É difícil falar quando a gente mesmo não sabe o que sente. Sensação de impotência e descaso, mesmo ciente dos meus motivos. A consciência fica tranquila ao constatar que dei o que pude. E pesa ao pensar o quão pouco foi isso. Caio do velho barquinho nas águas turbulentas do rio, aquele do abismo, que bifurca-se. Agarrada em pedra viva, meio a correnteza - como Alice afogando-se nas próprias lágrimas segura-se ao dodô. Acho um vidrinho de pílulas com a seguinte mensagem: dê a preferência. Se eu mordo de um lado, cresço, do outro, diminuo. O caso é que os lados não estão apontados. E diferente da fábula não há como experimentar um após o outro. Como se um dos lados sumissem logo após a primeira escolha. Chamo por uma estrela-cadente, um trevo de quatro folhas, um vidente, uma lâmpada mágica... Rio desse momento de desespero. Discernimento. Sabedoria. Peço ajuda. Imploro socorro ao Poeta que me guia. Silêncio. Silencio. Alguém? Uma voz suave de mãe diz: não pensa, segue seu coração, menina. O que mais tem é coisa preto-e-branco por aí. Mas o medo que paralisa é o mesmo que me impulsiona a ser forte. Aquele segundo do 'quando achar que não vai mais aguentar, respira e sustenta'. Desculpas à quem devo desculpas. Amor Àquele a quem devo todo o amor. Eu detesto finais e despedidas. É só isso que se passa em meu silêncio. Que grita.



"Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar." I Co 10:12 e 13

quinta-feira, 12 de maio de 2011

sobre o todo.


No reino tudo há de ser possível. E as mudanças, seja quais forem, virão para o bem, mesmo que a gente demore um pouco pra perceber. Os astros entram na minha casa. Invadem a minha janela. E me dizem baixinho assim.... fé, menina. As pessoas ficam pelo caminho. E o caminho feito de pessoas não fica, vai junto. Uma massa abarrotada anda devagar... Passado e presente se misturam na saudade de dias simples assim, em que a gente cantarolava e ria, e ria e cantarolava, e cantaro... Lá.. Vá.. Pra onde for, mas permaneça aqui. O milagre da semente e da sustentação das estrelas. Há de ser maior. Melhor. Vaaaaaasssto to to. Eco. Grande. Me perco no infinito e na maravilha de ser, simplesmente. Cheia. Aberta. Mergulhada aqui. E quando tivermos frente a dois pôr-dos-sóis... Um abraço infinito.




terça-feira, 26 de abril de 2011

reencontro de dois-um.

Guardo a minha canção
pra quando você voltar.
Eu te canto bem baixinho
se você me acompanhar.
Se você me prometer,
que sempre eu vou te ter,
independente do lugar.

E fica essa sensação 'boba' de que já te conhecia de algum lugar. Um lugar maior, quem sabe. Nosso esconderijo secreto.