terça-feira, 25 de agosto de 2009

Máscara II


"Aprendendo a receber aplausos e amor"
(JuuMaltos)

Eis a menor máscara de todas, a que menos esconde,
e que mais revela.

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Máscara I (postagem do dia 14/06/2009)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Joaninha

Macacão de palhaça, diabolô num ombro (como carregam aqueles pedaços de pau com uma trouxa amarrada na ponta), um martelo gigante no outro. Um fusca miniatura na mão direita. Ia andando a pé, acompanhada por 2 amigos, 1 prima e o companheiro de vida. - 'Para onde vamos mesmo?', - 'Pro shopping, comer alguma coisa' (responde um dos acompanhantes). - 'Ah sim'... O caminho parecia ter triplicado de tamanho. - 'Não faz sentido irmos à pé, estou com o fusca, e agora já tenho carta de motorista'. No momento que pronuncia essas palavras um olhar geral pro fusca na mão da moça, formação de roda, ela estica a mão com o fusquinha em um lugar estratégico (no meio da roda) pra que todos pudessem vê-lo. Clima tenso no ar, alguns pareciam com medo do carrinho, e outros com medo da motorista. Até que uma voz quebra o gelo: - 'Não vai caber todo mundo aí dentro, é muito pequeno'. Uma concordância geral com o comentário, e a moça retruca: - 'Tudo bem, só precisamos passar num posto ou borracharia pra enchermos ele'. Um posto à uns dois quarteirões de distância, todos se encaminham para lá, chegando a moça fala ao atendente: - 'Como faço para aumentar o fusca?', estende a mão com o mini-carrinho mostrando ao atendente. Ele pega o fusquinha, vira e revira, até que acha um biquinho e o mostra pra moça: - 'Aqui óh, é só soprar e encher!'. - 'Ahn, ok, obrigada. Viu gente? É só encher'... Vão todos andando enquanto a moça vai soprando o biquinho. Depois de muito esforço e de já estar quase morrendo sem ar, parou, o fusquinha já tinha, aproximadamente, uns 50cm de comprimento. - 'Acho que já está bom!', diz a moça abrindo a bolsa e pegando a chave do Joaninha (nome que dera ao carrinho), abre a portinha e levanta o banco da frente, todos a olham com receio, ela balança a cabeça e comenta animada: - 'Vamos gente, é só entrar'. Todos entram no fusca, incrivelmente espaçoso por dentro. Pegam a avenida principal e... a moça chega ao quarto, sozinha, está deitada na cama, acabando de acordar.

sábado, 25 de julho de 2009

Florela II

No dia 30 de abril de 2009 eu dei a menina (Ela.. a Florela). Não vendi ou a abandonei nos lixos como muitos fazem. Eu nunca teria essa coragem, mesmo porque ela era preciosa demais pra mim pra que eu cometesse uma atrocidade dessas. Eu que a apanhei nas ruas, estava jogada num jardim qualquer, aonde mesmo tinha nascido. Então a retirei e levei pra casa. Dei-lhe um cantinho pra ficar em um dos meus livros mais preciosos. A acolhi e lhe dei todo o meu amor. Mas chegou um dia. Um dia aparentemente normal, se não fosse pelo mau humor excessivo e minha chateação com ele (que ainda não entendia dos meus amores e desamores). Como eu já disse, 30 de abril de 2009, o dia que sacrifiquei (por um bem maior, que fique bem claro) e ao mesmo tempo libertei minha menina. Tinha-a esquecido dentro da minha bolsa e acabei por levá-la comigo no meu caminhar vazio, então ele apareceu, forte e indiferente como sempre. Eu não sabia o que fazer ou falar, então, quando abri a bolsa e vi Florela, não tive outra saída, era a única coisa que podia fazer ou oferecer, a entreguei nas mãos dele. E com ela, foi junto minha alma. Porque nela estava meu tesouro, minha verdade escondida, eu e ela tínhamos a mesma essência, o mesmo cheiro, o mesmo sopro de vida, o mesmo coração. Percebi então que eu era a menina, e que agora eu já não mais me pertencia. Então ele nos guardou em sua bolsa, um pouco impressionado e surpreso com essa atitude repentina. A dívida estava paga, o preço estava pago, o jogo estava aberto e as pétalas na mesa. E quando ele descobriu nosso segredo (meu e de Florela), nossas vidas não foram as mesmas. Mas isso já são folhas pra outras histórias, que só as borboletas vão saber.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Desajustada


Deu a louca no meu relógio biológico:

Passo os dias e tardes
sonhando,
E as noites acordada
pensando...

Chamem um técnico, por favor!

domingo, 12 de julho de 2009

Enfim, voar!

"E um coro de astronautas,
de anjos
e crianças,
bailando ao meu redor,
me chamam:
- Vem voar!
(...)
E de tão livre, chorarei!"


(adapt. Balada para um louco - Moacyr Franco)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Pessoas. Do dia 06 de julho de 2009.

Na fila do banco um senhor de cabelo branco, capacete côco (aqueles de motoqueiros de estrada, meio punk) e um sapato mocassim marrom claro. Ele esperava pra fazer um depósito. 'Esses capacetes são proibidos'... (pensei). 'Talvez ele usasse só como um chapéu, afinal, não o tirou da cabeça pra entrar na fila, mas se bem que não combina muito com os sapatos'... (pensei de novo). Até que ele estava estiloso. Acho que ia para um racha depois do depósito.

No restaurante universitário um carinha passa com o bandeijão de comida na minha frente, camisa de time de futebol com as cores do 'Tabajara Futebol Clube', atrás não tinha nome, só o número e uma escrita assim: 'SUA MÃE F.C.'. 'Deve ser algum xingamento'... (pensei) Me senti meio inocente por não entender a piada. 'Porque deve ser uma piada'... (pensei de novo). Até que ele não me é estranho. Acho que estava com pressa.

Na cena das meninas encarceradas de roupas íntimas, os pedreiros da construção a frente param para olhar. Um comenta: 'assim eu até paro o meu trabalho!'. Usavam roupas de trabalho, botas de borracha e capacete de segurança. 'Os pedreiros são todos iguais'... (pensei). 'As meninas fizeram o dia deles'... (pensei de novo). Até que estavam bem concentrados na performance. Acho que a partir de agora eles vão se interessar mais por arte.

Na loja de sapatos dei em cima de um vendedor careca com uma roupa preta, pra ver se fazia um preço mais bacana. Roubei o celular do caixa quando foi pro estoque com o vendedor. Voltaram com um tênis branco enorme, quando eu tinha pedido um scarpin preto, levei o tênis. Fui premiada com um bonequinho do mascote da loja como a cliente número 5000! 'Queria era ter ganhado o caixa. Como ele é lindo!' (pensei) 'Pena ser antipático e eu já ter dado em cima do vendedor...' (pensei de novo). Até que a loja não era das piores. Acho que estavam com crise financeira.

Na reunião de noite aparece uma extraterrestre, com uma calça larga cinza, blusa preta e meia colorida. Tinha um andar muito estranho, e uma gosma rosa metálica insistia em tentar sair da sua barriga. 'Isso não pode ser da minha família'... (pensei) Disse que se chamava Diana. 'Uma extraterrestre chamada Diana.. puutz'... (pensei de novo). Até que ela era bem normalzinha para uma ET. Acho que estava tentando se disfarçar de gente para abduzir alguém.

Na frente do computador, enquanto escrevo esse texto, uso um short xadrez, uma camiseta branca escrita 'Hospital do Câncer, tem meu patrocínio' e uma piranha verde-musgo prendendo o cabelo. Minha boca tem gosto de café misturado com atroveran gotas. 'Isso de que tampar o nariz tira o gosto não adianta nada, a gente destampa e o gosto vem, graande coisa'... (penso) 'Eu devia estar fazendo o portfólio do PIPE ou o artigo da Renata... ou os dois!' (penso de novo). Até que o texto tá ficando bacana. Acho que ninguém vai acreditar que tudo isso é verdade.

Mas... quem sabe, entende!

Pessoas. (porque cada uma que passa por nós tem uma história, um amor e um desamor, um medo e uma coragem que não se sabe de onde sai nas horas de desespero, uma fé e um ateísmo, uma vitória merecida e uma derrota que nunca irá esquecer, uma preocupação que lhe tira o sono e uma paixão que lhe tira o chão, um sonho de criança e uma desilusão de adulto. Passam por nós com toda essa carga, com toda essa vida e história, pedindo socorro, oferecendo ajuda, pedindo abraço e renegando carinho. Passa... E a gente nem vê!)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ninfas e ornitorrincos

Quem trouxe roupa pode colocar./Acompanhe a bola com o olhar até parar./Parou, olha pro público e pega a bola./É simples./ Use a dor da pisada no pé!/Vocês agora são ninfas dançando, pensem naqueles filmes de fadinhas infantis (Xuxa e os doendes? Nooooo)/E, de repente, essas ninfas saem do balé clássico e começam a dançar no estilo 'É o tchan'/Estão enlouquecidas, cara de ornitorrinco no cio (Puutz, ornitorrinco no cio? Ôoo criatividade)./Quero que venham de borboleta, vamos levar pro 3Q./O mais difícil é descobrir a lógica do palhaço./Ela determinará a roupa e o jeito de agir./Fiquei lembrando da música do Engenheiros... 'qual é a lógica do sistemaa...', nada a ver!/Pare de frente ao espelho e se examine, explore suas estranhezas, é ótimo que seja estranho./Quem não o é fica dependente de maquiagem (questão: maquiagem vicia?)/Paródia também está no cômico mas não é do clown./A questão é que riam de você, e não de uma primeira referência./ Então... férias? - Daqui sim./ Segunda fechamos com as cenas./Pulga atrás da orelha: onde será que essa tal de lógica escondeu pra que eu ache?/


Meu bem, desculpa te plagiar de novo!
(Quem sabe sabe... entende!)

domingo, 14 de junho de 2009

Máscara I

De trás da coxia, com as mãos trêmulas afundou o chapéu côco preto o mais fundo que pôde na sua cabeça, olhou pro nariz vermelho em cima da cadeira ao lado, tirou de novo o chapéu da cabeça, agora ainda mais ansiosa, colocou o nariz, aquela máscara (a menor de todas) que deveria lhe revelar e não esconder, como sempre pensara. Recolocou o chapéu, e com borboletas na barriga bateu na madeira do biombo... 'toc toc'. Um segundo de silêncio, e uma voz masculina bem conhecida lhe gritou de longe: 'ADELAAAANTE!!!'

Tímida e temerosa adentrou ao picadeiro, primeiro o chapéu e a cabeça, depois o restante do corpo, com pequenos passos e mordendo o cantinho direito da boca foi chegando ao centro, cerca de uns 12 rostos curiosos lhe olhavam fixamente, e quando seus olhos passavam pelos olhos deles parecia que lhe sugavam a essência, e ela teve medo. Reconheceu o dono da voz que lhe gritara, e este lhe fez um sinal pra que levantasse um pouco chapéu, ficou ainda mais nervosa, e em um gesto tímido de quem brinca com a platéia foi levantando o chapéu... o silêncio era cortante, será que tinham gostado dela? Será que a amavam? Uma sensação de estar sendo lida...

Decidiu levantar os braços, num pedido de aplausos (ou vaias), sentiu o rosto corar nesse instante... o silêncio continuou por um segundo, e quando seus braços chegaram ao rumo do ombro, uma explosão de aplausos, gritos de 'TE AMOO!!!', 'LINDA!' e um ousado 'GOSTOSAA!!!', deu um suspiro risonho de alívio e conteu algumas lágrimas, a cena congelou naquele instante, sabia que estavam sendo sinceros e aquilo lhe lavou a alma e tocou fundo no seu coração.

Brincou um pouco com o chapéu colocando-o sobre o peito e abaixando a cabeça num sinal de reverência e agradecimento... não sabia exatamente se queria sair ou ficar ali o resto da tarde, se sentia um pouco embebecida com os gritos eufóricos e palmas, por um instante aquelas poucas pessoas pareciam ser um multidão.

Como se alguém lhe estalasse os dedos frente ao seu olhar fixo, acordou de súbito, ainda a estavam olhando, mas os aplausos iam ficando cada vez mais raros... - 'Preciso sair', pensou. Lembrou-se da triangulação: platéia - biombo - biombo - platéia... Então olhou pras pessoas e pro biombo, conforme lhe haviam ensinado, dando uma indicação que estava pra sair. Com passos rasos foi saindo, ainda com a sensação de estar tonta, sumiu atrás da coxia, e num último gesto, colocou a mãozinha pra fora abanando o chapéu, ouviu alguns risinhos, o que lhe deixou bem contente.

Parou pra pensar em tudo que tinha acontecido nos últimos minutos, parecia ter ficado uma hora no picadeiro, mas sabia que não passaram de uns 3 minutos, mal tirou o chapéu o olhou com muito amor e saudade (pois já sentia falta dele na sua cabeça). Com muito mais cuidado tirou o nariz vermelho, como se pudesse quebrá-lo em um gesto estabanado, limpou-o na camiseta branca, e o colocou vagarosamente sobre a cadeira de onde o tirara.

Respirou fundo, as borboletas começavam a ir embora, a emoção do palco continuaria por algum tempo; recolocou a sua máscara original e o seu escudo (que no fundo, não tinha abandonado completamente), e foi-se embora pra casa passando pela multidão como uma pessoa qualquer.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Caminho das Pétalas

Aconteceu no ano de 1873. Como se fosse de uma tela recém pintada, esquecida ao vento num dia de chuva, a rosa branca foi se desconfigurando, pingando no chão sua pétalas em forma de tinta. Estas, por sua vez, caíram azul claro cintilante, quase transparente, fazendo borrões escorridos no cimento frio, que se misturavam ao barro e à enxurrada.

E, por onde passou, deixou um rastro brilhante de beleza e mágoa, um fiapinho de rio cristalizado, intitulado, 15 anos depois, como 'Caminho das Pétalas'. E, até hoje, quem por ali passa pode sentir a essência do perfume da rosa, e uma brisa fria que lhe susurra ao ouvido palavras de amor e solidão.

domingo, 31 de maio de 2009

Cavaleiro andante

E lá vem ele... meu cavaleiro andante.
Com seu escudo num braço e a espada n'outro.
Com seus olhos escuros exalando fogo.
Montado num cavalo negro de crina flamejante.
Bravo feito Dom Quixote lutando contra seus monstros imaginários.

Mas... lá vai ele... meu cavaleiro andante.
Procurar outro moinho.