Em meio a águas turbulentas me sinto observada. Como por alguns anjos bons. Aqui os agradeço. O amor me surpreende a cada esquina, digo amor - digo vida.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
o último diálogo de reis.
- Quanto tempo!
- Pois é, quanto tempo...
- Tudo bem?
- Aham...
- Você disse que estaria por perto.
- Eu tentei.
- Você acha?
- (silêncio)
- Me desculpa, eu não vim te cobrar.
- (silêncio)
- Eu entendo, de verdade.
- Você tinha falado de amor...
- É porque amo.
- (silêncio)
- Tive uma idéia!
- Lá vem...
- Que tal a gente ir pra algum lugar? Vênus, talvez?
- É impossível...
- Não se você tiver do meu lado.
- (risos)
- Você nunca me leva a sério...
- Tá bom...
- Viu?
- E quando a gente volta? Quando acaba?
- Bem...
- Antes você dizia que não acabava nunca.
- (silêncio)
- Tá tudo bem...
- Algumas coisas mudam, afinal. Mas nem todas.
- (silêncio)
- Acaba quando a gente quiser... é aí onde quero chegar!
- (silêncio)
- Faz o seguinte. A gente se liberta.
- Libertemos então.

"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós.
Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós. ."
domingo, 28 de novembro de 2010
segunda falsa ode à Ele.
Pelo bem que cercado de amor, cerca o amor de bens. Pelo tempo que me foi generoso. Pelos dias que me foram calorosos. Pelos abraços. Pelos carinhos. Pelas noites. Pelos risos. Por ser maior, e ser menor. Por ser imenso... Pela sinceridade. Pela amizade que um dia cultivei. Pela oferenda. Pela troca. Por ser humano. Por ser da trova. Do trevo, da chuva de anis. Pelo verde, pelo amor, por amar, com amor... obrigada.


Porque amor pra mim não acaba, transforma.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Calo-me.
Detesto a fúria e os furiosos.
A própria raiva me enraivece.
Disse Paulo:
"Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sob a vossa ira" (Ef. 4:26)
A própria raiva me enraivece.
Disse Paulo:
"Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sob a vossa ira" (Ef. 4:26)
sábado, 30 de outubro de 2010
Quantos lugares ao mesmo tempo?
Penso cada vez mais longe.
Vejo cada vez mais longe.
Toco cada vez mais longe.
Saboreio cada vez mais longe.
Respiro cada vez mais longe.
Cheiro cada vez mais longe.
Ouço cada vez mais longe.
Sinto cada vez mais.
Vejo cada vez mais longe.
Toco cada vez mais longe.
Saboreio cada vez mais longe.
Respiro cada vez mais longe.
Cheiro cada vez mais longe.
Ouço cada vez mais longe.
Sinto cada vez mais.
É, a água levou.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Uma história marrom-bombom.
Era uma vez
um menino amarelo
que comeu um cogumelo azul
e desde então
tudo aquilo que ele encostou
ficou verde fluorescente.
Era uma vez
Era uma vez
uma menina roxa
que comeu uma flor preta
e desde então
tudo aquilo que ela encostou
ficou laranja metálico.
Em algum 'era uma vez'
Em algum 'era uma vez'
o menino amarelo do primeiro parágrafo
esbarrou na menina roxa do segundo
e desde então
tudo ficou rosa bebê.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Ela diz por mim.
Sinal Fechado - Chico Buarque
- Olá, como vai?
- Eu vou indo, e você tudo bem?
- Tudo bem, eu vou indo, correndo, pegar meu lugar no futuro, e você?
- Tudo bem, eu vou indo
- Quanto tempo!
- Pois é, quanto tempo...
- Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios,
- Qual, não tem de quê. Eu também só ando a cem.
- Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí.
- Pra semana prometo talvez nos vejamos, quem sabe...
- Quanto tempo!
- Pois é, quanto tempo...
- Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas..
- Eu também tenho algo a dizer, mas me foge a lembrança..
- Por favor telefone eu preciso beber alguma coisa rapidamente.
- Pra semana,
- O sinal...
- Eu procuro você.
- Vai abrir, vai abrir..
- Prometo não esqueço..
- Por favor não esqueça, não esqueça..
- Adeus.
- Adeus.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Um carinho, pra flô-amarela.
Já pensei em sete verso
sete fita colorida
estrelas, sete, de vida
sete nuvem de algodão
Pra módi mandá pra minina
sete flô de laranjeira
e de manhã a brisa primeira
que é pra aquietá o coração
Ser ela e menina-flô
ser mar e enchente na vida
ser sorriso e brilha que gira
ser jeitinho de chegá com amô
.
domingo, 8 de agosto de 2010
Borra e Onde as luzes tocam o chão.
Os desenhos fitados de azul e vermelho agora giram. Rodopiam freneticamente. À velocidade da luz. As cores se misturam virando borrões. As linhas se misturam virando nós. Os limites se misturam virando nada. Confusão. Embaraço. Mancha - como aquela da blusa branca preferida que nunca mais quis sair (pouco me importa). Poesia concreta em pintura realista. Vira voz. Vira som. Mas não harmonia. Abstracionismo geométrico sem retas, sem abstração e sem geometria. Lágrimas roxas, fruto da combinação. Dos desenhos fitados em sombra e pó de arroz fino - máscaras. Dos segredos susurrados. Divididos. Cumpliciados. Conquistados. Agora vá à janela. Sinta a brisa. Respire fundo. Feche os olhos. E só imagine as imagens. Só desenhe no ar. Os meus borrões azul e vermelho. De volta ao começo.
domingo, 1 de agosto de 2010
Poema pra quando ela voltar.
Voa longe.
Brinca de ser gente grande.
Brinca longe.
Constrói castelos de areia nevada.
Constrói longe.
Troca a casinha por nova morada.
Troca longe.
Pinta pastel a própria história.
Pinta pastel a própria história.
Pinta longe.
Cria saudade do sorriso levado.
Cria perto.
Vai, pequena, ser grande na vida.
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